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Setor de bioinsumos supera R$ 7 bilhões

Novo marco regulatório dos bioinsumos tem potencial para impulsionar o crescimento


Foto: Divulgação

O novo marco regulatório dos bioinsumos tem potencial para impulsionar o crescimento do setor no Brasil, desde que combine estímulo à inovação com critérios rigorosos de segurança. A avaliação é de Júlia Emanuele de Souza, diretora de relações institucionais da ANPII Bio, que defende regras claras para a produção industrial e também para aquela realizada dentro das propriedades rurais.

Segundo a dirigente, o ambiente regulatório em construção tende a favorecer o avanço de um segmento que depende diretamente de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento. “O marco que está sendo construído tem todo o potencial para favorecer o desenvolvimento do setor, porque os bioinsumos dependem de pesquisa e desenvolvimento. É um setor extremamente inovador”, afirmou.

Júlia destacou que a proposta em discussão abre espaço para o incentivo a novas tecnologias, à mistura de produtos e à chamada múltipla funcionalidade, pontos considerados estratégicos para ampliar a competitividade do setor no país. “Essa nova proposta de decreto vem trazendo incentivo para novas tecnologias, para a mistura de produtos e a múltipla funcionalidade também está sendo incentivada nesse novo marco regulatório”, disse.

Produção na fazenda entra no centro do debate

Apesar do otimismo com a regulamentação, Júlia chamou atenção para um ponto considerado sensível pela indústria: a necessidade de maior clareza sobre a produção feita pelo produtor rural dentro da fazenda.

Na avaliação da diretora, a regulamentação pode deixar de cumprir seu papel de incentivo caso não estabeleça parâmetros objetivos para essa prática. “A tendência é que o marco regulatório incentive o setor. O único risco de desincentivo seria a falta de clareza sobre a produção feita pelo produtor na fazenda”, afirmou.

Ela pondera que os bioinsumos são, em essência, produtos naturalmente seguros, mas isso não elimina a necessidade de controle técnico. “São produtos naturalmente seguros, encontrados na natureza, mas, se produzidos de forma inadequada, podem trazer riscos para quem usa e para quem consome os alimentos”, alertou.

Para Júlia, o debate regulatório precisa avançar com foco na segurança sanitária, ambiental e operacional. “Se todo o processo de produção, tanto industrial quanto feito pelo produtor rural, for realizado com critérios rigorosos de segurança para a saúde das pessoas e para o meio ambiente, essa regulamentação tende, sim, a ser um incentivo para o setor”, ressaltou.

Qualidade é condição para eficácia dos biológicos

Outro ponto enfatizado por Júlia é que a própria dinâmica de fabricação dos produtos biológicos exige elevado rigor técnico. Segundo ela, a eficácia e a estabilidade dos bioinsumos dependem diretamente do controle de qualidade em todas as etapas do processo produtivo.

“A indústria de biológicos no Brasil é naturalmente muito diligente. A produção exige um controle de qualidade extremamente rigoroso; caso contrário, o produto não sai conforme e a empresa pode perder todo o lote”, explicou.

Ela acrescenta que esse padrão já faz parte da rotina das empresas associadas à ANPII Bio e, na avaliação da entidade, precisa se estender a todo o mercado. “As empresas associadas à ANPII Bio são altamente diligentes e produzem com controle de qualidade rigoroso. Isso deve acontecer em todo o setor, inclusive na produção feita pelo produtor rural”, completou.

Setor vive momento de expansão no Brasil

As declarações de Júlia ocorrem em um momento de forte crescimento do mercado de bioinsumos no país. De acordo com dados apresentados pela ANPII Bio durante a terceira edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, realizada em Campinas, o setor superou R$ 7 bilhões na safra 2024/2025 e consolidou o Brasil entre os três maiores mercados do mundo, ao lado de Estados Unidos e China.

Hoje, o país responde por 15% a 18% do mercado global e concentra cerca de 50% das movimentações da América Latina. Entre 2022 e 2025, o número de empresas do segmento cresceu mais de 50%, impulsionado tanto pela entrada de novos players quanto pela diversificação de empresas tradicionais de insumos.

O evento reuniu cerca de 200 participantes, entre executivos de mais de 90 empresas, além de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, da Embrapa, especialistas e consultorias.

 

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