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Brasil dobrou as exportações de soja em grão em março

Mercado brasileiro do complexo soja encerrou a última semana sob pressão de baixa


Foto: Divulgação

O mercado brasileiro do complexo soja encerrou a última semana sob pressão de baixa, com recuos nos preços de grão, farelo e óleo no âmbito doméstico. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre maior volume de produto disponível e a apreciação do real frente ao dólar enfraqueceu a posição competitiva das exportações nacionais, puxando as cotações para baixo ao longo dos últimos dias.

No cenário externo, o comportamento foi distinto para cada derivado da soja. A demanda internacional aquecida garantiu sustentação às cotações do farelo e da soja em grão nos mercados globais. O óleo, no entanto, foi o único componente do complexo a registrar desvalorização no exterior, reflexo direto da queda nas cotações do petróleo, que costuma influenciar o comportamento dos óleos vegetais negociados em bolsa.

No campo das exportações, o mês de março trouxe números expressivos para a soja em grão. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 14,51 milhões de toneladas do produto, volume que representa mais que o dobro do registrado em fevereiro — um crescimento de 105,29%. Em relação a março do ano anterior, o resultado ficou marginalmente abaixo, com queda de 0,96%, sinalizando estabilidade no patamar de embarques sazonais.

O farelo de soja foi o destaque positivo do período. Segundo dados divulgados pelo Cepea com base na Secex, as exportações do subproduto totalizaram 1,92 milhão de toneladas em março, configurando um recorde histórico para o mês. O resultado reflete a intensa demanda internacional pelo ingrediente proteico amplamente utilizado na formulação de rações animais, especialmente em mercados europeus e asiáticos.

O óleo de soja, por sua vez, teve desempenho mais fraco no front externo. Os embarques somaram 176,91 mil toneladas em março, representando uma queda de 13,02% frente ao mês anterior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, esse recuo está associado ao menor interesse de compradores tradicionais como Índia e Uruguai, além da ausência da China como demandante relevante no período, fatores que reduziram significativamente o fluxo de saída do produto.

O quadro geral do complexo soja brasileiro reflete um momento de equilíbrio frágil entre oportunidades externas e desafios internos. A valorização do real, ao encarecer as exportações em dólar, retira parte do incentivo ao escoamento da produção e pressiona a formação de preço doméstico. 

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