RS concentra 80% do azeite brasileiro e país deve atingir 1 milhão de litros
Safra deve ser recorde
Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
O evento, que chegou à 14ª edição, reforçou o avanço da olivicultura no país, tanto em volume quanto em qualidade. O Brasil caminha para registrar um marco inédito na produção de azeite extravirgem, com volume próximo de 1 milhão de litros na safra 2024. O dado foi confirmado nesta sexta-feira (17), durante a abertura oficial da colheita da oliva em Triunfo, com destaque para o protagonismo do Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 80% da produção nacional.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura, Flávio Obino Filho, o desempenho reflete uma combinação favorável entre clima e evolução técnica no campo. “Tivemos o maior número de horas de frio dos últimos 20 anos no inverno, uma primavera pouco chuvosa e, agora, um verão equilibrado e sem chuva, dando condições ideais para a colheita”, afirmou.
Ainda segundo dados divulgados pelo Ibraoliva, apesar do crescimento expressivo, a produção nacional ainda representa apenas entre 1% e 1,5% do consumo interno, evidenciando um descompasso entre oferta e demanda. Para Obino Filho, o principal gargalo está dentro da porteira. “Não adianta a gente ter o melhor azeite do mundo se não tem azeitona no pé”, destacou, ao defender mais investimentos em pesquisa e gestão produtiva.
O desafio central passa pelo ganho de escala. Sem avanços consistentes na produtividade por hectare, o azeite nacional tende a manter baixa competitividade frente aos importados.
O setor também enfrenta forte concorrência de azeites importados, frequentemente vendidos a preços mais baixos e, em alguns casos, com qualidade inferior. Segundo o presidente do Ibraoliva, há distorções que dificultam a valorização do produto nacional. “Aquilo que é dado de graça nas mesas dos restaurantes pode ser qualquer coisa menos azeite extravirgem de oliva”, afirmou.
MAIS
Como resposta aos desafios estruturais, foi assinada durante o evento a proposta de criação de um centro de referência em pesquisa, desenvolvimento e inovação da olivicultura no estado. A iniciativa envolve a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e o Ibraoliva, com foco em ampliar produtividade, padronização e competitividade. A expectativa é que a integração entre ciência e campo ajude a reduzir gargalos técnicos e potencialize o desempenho dos olivais brasileiros.
O governador do estado, Eduardo Leite, destacou o papel estratégico da olivicultura na diversificação produtiva. “O avanço da atividade demonstra o potencial do Rio Grande do Sul para se consolidar como referência nacional na produção de azeites de alta qualidade”, afirmou.