Mercado de trigo segue lento e mira possível reação
Em Santa Catarina, o mercado segue travado
Em Santa Catarina, o mercado segue travado - Foto: Divulgação
O mercado de trigo segue marcado por ritmo lento de negociações no Sul do país, com moinhos abastecidos no curto prazo e foco em entregas mais adiante. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que a demanda imediata permanece restrita, enquanto cresce a expectativa de valorização ao longo do primeiro semestre.
No Rio Grande do Sul, os moinhos demonstram interesse concentrado em março, com casos pontuais para fevereiro. O cenário atual é de estoques elevados e moagem reduzida, mantendo os preços entre R$ 1.150 e R$ 1.200 dentro das indústrias. A avaliação predominante é de que a oferta tende a diminuir a partir de fevereiro, já que produtores com menor necessidade de caixa podem postergar vendas diante da entrada de receitas de soja e milho. A perspectiva é de alta a partir de abril, especialmente para trigos de melhor qualidade, favorecidos pelas limitações do produto argentino. O estado também embarca 66 mil toneladas por cabotagem para o Nordeste, sinalizando competitividade do trigo gaúcho. O preço da pedra ao produtor permanece em R$ 54,00 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, o mercado segue travado, com negócios concentrados em semente e poucas intenções de venda. As pedidas para trigo-pão giram em torno de R$ 1.200 FOB, enquanto o melhorador alcança R$ 1.300, níveis ainda considerados elevados para os moinhos, que também estão bem supridos. Os preços de balcão recuaram em parte das praças, variando de R$ 59,00 a R$ 64,00 por saca, e produtores já sinalizam redução de área na próxima safra, com migração para o milho.
No Paraná, o quadro permanece estável, com moinhos cobertos até fevereiro e interesse apenas para março, com pagamento em abril. O abastecimento ocorre principalmente com trigo paraguaio e gaúcho, mais competitivos, enquanto o produto local segue destinado ao Nordeste por cabotagem ou mantido como reserva. Os preços CIF variam de R$ 1.200 a R$ 1.280 conforme a região. O trigo importado nacionalizado é ofertado próximo de US$ 250 por tonelada, e o paraguaio mantém boa qualidade, apesar de desafios logísticos.