Mercado de feijão fecha ano com forte seletividade
A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial ampliou
A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial se ampliou - Foto: Canva
O mercado brasileiro de feijão atravessou 2025 sob um cenário de consumo estagnado, estoques elevados e crescente diferenciação entre produtos, com a qualidade assumindo papel central na formação de preços. A avaliação consta em retrospectiva da Safras & Mercado sobre o desempenho do setor ao longo do ano.
A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial se ampliou de forma estrutural, refletindo uma demanda interna retraída, exportações usadas apenas como alívio parcial e retenção de lotes superiores. O início do ano foi marcado pela oferta crescente de grãos intermediários, escassez de padrões elevados e liquidez seletiva, com impacto direto das condições climáticas sobre a qualidade em importantes estados produtores.
No primeiro trimestre, o carioca de melhor padrão manteve firmeza, enquanto os produtos comerciais enfrentaram dificuldade de escoamento. Já o feijão preto operou com oferta confortável, sustentado por excedentes e embarques externos, mas com preços pressionados pela apatia do consumo doméstico. No segundo trimestre, a lentidão se intensificou, com mínima liquidez, varejo abastecido e preços sustentados apenas pela escassez de grãos nobres.
O terceiro trimestre revelou colapso da fluidez e afastamento dos compradores, seguido por leve reação no carioca premium ao final do período, enquanto o feijão preto permaneceu dependente das exportações. No último trimestre, consolidou-se o padrão de seletividade extrema, demanda fraca e sustentação apenas nominal para os produtos de maior qualidade, encerrando o ano com pressão contínua na base do mercado.