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Plano Safra 2025/26 registra queda no desembolso do crédito

Crédito rural atinge 55% do previsto para a safra


Foto: Canva

O Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo divulgou o mais recente Relatório de Acompanhamento do Crédito Rural, com dados sobre os desembolsos do Plano Safra 2025/2026. Segundo o levantamento, entre julho de 2025 e fevereiro de 2026 foram liberados R$ 224,6 bilhões, o equivalente a 55,3% do volume de recursos programado para a safra.

De acordo com o relatório, “na comparação com o mesmo intervalo do ciclo anterior, observa-se retração nominal de 13,7%”. Apesar da redução no valor desembolsado, o número de contratos apresentou crescimento. No período, foram registradas 1,6 milhão de operações, expansão de 2,3% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior.

A retração no volume de recursos atingiu todas as categorias de produtores, incluindo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e os demais produtores. O relatório aponta que a queda foi mais acentuada entre estes últimos, com recuo interanual de 19,9%. Conforme a análise, “o ambiente macroeconômico contribui para explicar esse desempenho”. Com a taxa básica de juros em 15%, “as condições monetárias permanecem restritivas, mantendo o custo de crédito em níveis elevados”.

No segmento de pessoa física, a taxa média de mercado do crédito rural foi de 13,47% em janeiro de 2026, acima da taxa regulada de 9,37%. O relatório afirma que esse cenário “preserva um diferencial em favor das linhas controladas”. Já no segmento de pessoa jurídica houve aproximação entre as taxas, com média de mercado em 12,27% e taxa regulada em 12,24%.

Segundo o documento do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, essa convergência “reflete, em parte, as expectativas de redução das taxas de juros de longo prazo, que influenciam a precificação do crédito, especialmente nas operações com recursos livres”. O relatório também destaca que a elevação da inadimplência tem imposto restrições adicionais ao acesso ao crédito. No caso das operações de pessoas físicas contratadas a taxas de mercado, o índice atingiu 13,47% em janeiro de 2026, “o maior patamar da série histórica iniciada em 2011”.

No estado de São Paulo, os desembolsos somaram R$ 22,2 bilhões nos oito primeiros meses do plano, o que corresponde a 9,9% do total nacional. Em relação ao mesmo período da safra anterior, houve retração de 8,1%. O número de contratos apresentou queda mais acentuada, de 19,3%, totalizando 38.910 operações.

Na análise por enquadramento, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foi o único segmento com crescimento, de 9,7% na comparação anual. Já os financiamentos destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e aos demais produtores da agricultura empresarial apresentaram retração, sendo a maior redução registrada entre estes últimos, com queda de 12,1%.

Em relação à finalidade do crédito, os recursos direcionados ao custeio e ao investimento recuaram 15,3% e 33,4%, respectivamente, indicando menor disponibilidade de financiamento para a produção agropecuária. Por outro lado, os desembolsos destinados à comercialização e à industrialização apresentaram crescimento.

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