Preços de frutas e hortaliças registram queda em janeiro
Exportações caem 12% em volume
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Das cinco frutas mais comercializadas nos principais mercados atacadistas do país, quatro apresentaram queda de preços no último mês. De acordo com dados do 2º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), banana, laranja, mamão e melancia registraram recuo na média ponderada de janeiro em relação a dezembro. O movimento também foi observado para batata e cebola, conforme documento divulgado nesta quarta-feira (25) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A maior redução ocorreu na melancia, com queda de 29,96% na média ponderada, mesmo diante de menor oferta provocada por fatores como redução da safra paulista, crescimento lento da safra gaúcha, oferta estável no sul da Bahia e entressafra em Goiás. Segundo a Conab, a variação negativa foi influenciada principalmente pela menor demanda, com destaque para a Ceasa do Rio de Janeiro. No caso do mamão, a Companhia identificou recuo de 11,04% nos preços médios, diante do aumento da oferta, sobretudo da variedade papaya do norte do Espírito Santo e do formosa do sul da Bahia.
A banana registrou queda de 8,99% na média ponderada, influenciada pela maior oferta da variedade nanica. As temperaturas elevadas favoreceram o amadurecimento da fruta e, associadas a chuvas regulares, contribuíram para o enchimento dos cachos. Para a laranja, houve variações com predominância de baixa, resultando em redução de 4,83% na média ponderada, com recuos mais acentuados nos entrepostos de Campinas (-8,74%) e Goiânia (-9,58%), diante da maior oferta local.
Entre as hortaliças, batata e cebola também apresentaram queda. A redução na média ponderada da batata foi de 11,75%, explicada pela maior oferta impulsionada pela safra das águas, que contribuiu para o abastecimento do mercado. Já a cebola registrou diminuição de 11,01% nas cotações, movimento atribuído à oferta de Santa Catarina, que cresceu 115% em relação a dezembro de 2025.
Em sentido contrário, alface, cenoura, tomate e maçã apresentaram alta nos preços. No caso da alface, o aumento foi de 36,56% na média ponderada, em função das chuvas nas regiões produtoras, que dificultaram a colheita, provocaram perdas e comprometeram a qualidade, além de restringirem novos plantios.
A cenoura teve elevação de 8,55% na média ponderada entre as Ceasas, associada à redução de 9% na oferta em relação a dezembro. Apesar da alta mensal, os preços permanecem abaixo dos verificados em janeiro de 2025. A Conab também registrou aumento de 9,46% nos preços médios do tomate, diante da redução das áreas com frutos em ponto de colheita, o que resultou em menor volume comercializado e pressão sobre as cotações.
Com menor quantidade de maçã disponível, as cotações subiram 7,75% na média ponderada. A redução da oferta nas Ceasas foi atribuída ao encerramento dos estoques em câmaras frias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, à menor disponibilidade da maçã eva do Paraná e ao fim do pico da safra paulista. Segundo a Conab, o aumento só não foi maior devido à menor demanda.
No mercado externo, em janeiro de 2026, o volume total de frutas exportado somou 98,44 milhões de toneladas, queda de 12% em relação a janeiro de 2025. O faturamento atingiu US$ 112 milhões (FOB), alta de 4,4% na mesma base de comparação, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Mesmo com retração mensal para melões, limões, uvas e melancias, as vendas para Europa e Ásia mantiveram o desempenho do início do ano após os recordes registrados em 2025.