Nova pirâmide reconhece hábitos já em transformação
O consumo de arroz no Brasil apresenta queda gradual ao longo de décadas
O consumo de arroz no Brasil apresenta queda gradual ao longo de décadas - Foto: Divulgação
A recente atualização da pirâmide alimentar reacendeu discussões sobre o papel dos carboidratos na dieta e seus efeitos sobre alimentos tradicionais do dia a dia. Segundo avaliação de Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, a mudança não representa uma ruptura, mas o reconhecimento de um processo que já vinha ocorrendo há bastante tempo no padrão de consumo.
O consumo de arroz no Brasil apresenta queda gradual ao longo de décadas, associada a transformações no estilo de vida, à urbanização, à redução do tempo dedicado ao preparo das refeições e ao avanço dos produtos ultraprocessados. Nesse contexto, a nova diretriz nutricional não surge como fator determinante dessa trajetória, mas como uma formalização de hábitos já consolidados. A comunicação que por anos tratou o carboidrato de forma negativa também contribuiu para esse movimento, independentemente de revisões gráficas ou conceituais da pirâmide.
Para o setor, os efeitos não são imediatos nem absolutos. O arroz não deixa de compor a alimentação por conta de uma recomendação técnica isolada. O ponto central passa a ser a forma como o alimento é apresentado ao consumidor e inserido no conjunto da refeição. Quando associado a uma alimentação equilibrada, com proteínas, legumes e preparo doméstico, o produto mantém relevância e aderência ao conceito de comida de verdade.
O desafio identificado está menos na atualização das diretrizes nutricionais e mais na estratégia de posicionamento. A permanência de uma abordagem baseada apenas em volume, preço e lógica de commodity tende a perder espaço diante de um consumidor mais atento ao contexto, à qualidade e ao significado do que consome.