Fique de olho na guerra, mas não esqueça do clima
As primeiras reações apareceram nas commodities
As primeiras reações apareceram nas commodities - Foto: OceanOPS
A escalada de tensões no Oriente Médio provocou uma mudança relevante no cenário econômico global e já começa a gerar reflexos diretos sobre o agronegócio. Segundo análise de Antonio Prado Neto, professor, colunista e CEO da Pirecal calcário, o conflito deixou rapidamente o campo geopolítico e passou a influenciar custos, preços e decisões no mercado agrícola.
Em poucos dias, o petróleo acumulou alta superior a 20 dólares por barril, enquanto aumentou a aversão ao risco nos mercados internacionais. O dólar também reagiu, passando de R$ 5,13 para R$ 5,32. Ao mesmo tempo, fertilizantes voltaram a subir no mercado global, criando um ambiente de maior volatilidade para o setor.
As primeiras reações apareceram nas commodities. Na semana seguinte ao início do conflito, a soja no Brasil registrou alta superior a R$ 4,60 por saca. O milho também reagiu no mercado internacional, com valorização de até 4,3% em Chicago. A combinação de câmbio mais forte, energia mais cara e incerteza global trouxe sustentação para os preços, mesmo diante da expectativa de grande safra brasileira.
Estimativas do Rally da Safra indicam produção potencial de 183 milhões de toneladas de soja no país, com produtividade média de 62,5 sacas por hectare. Ainda assim, mais de 50% da produção segue sem comercialização, o que exige atenção ao momento das vendas.
Outro ponto de alerta voltou a ser o mercado de fertilizantes. A ureia já registrou alta próxima de 13% em poucos dias, com preocupações logísticas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia e insumos agrícolas.
No campo, previsões de chuva para a região central do Brasil devem favorecer o desenvolvimento do milho de segunda safra, plantado em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, modelos climáticos indicam aumento na probabilidade de El Niño no segundo semestre de 2026, reforçando a importância do manejo adequado do solo como estratégia produtiva.