Agro entra em 2026 com foco na gestão
Produzir mais já não garante rentabilidade
Produzir mais já não garante rentabilidade - Foto: Pixabay
O agronegócio brasileiro inicia 2026 sob um ambiente mais desafiador, com mudanças relevantes nas condições de crédito, nas exigências de mercado e na dinâmica de custos. Depois de anos marcados por ajustes, o setor entra em um período em que eficiência e gestão passam a ser determinantes para a sustentabilidade das operações.
Segundo Celso Borba, gerente comercial, o momento representa uma clara divisão entre quem atua com planejamento estratégico e quem se apoia apenas na produção. Ele avalia que as margens mais apertadas e o novo contexto econômico elevaram o nível de exigência para produtores e empresas do campo.
Entre os principais pontos de atenção está o custo da sobrevivência. Com a Selic em patamares elevados, o crédito bancário tradicional tornou-se mais caro e seletivo. Nesse ambiente, o mercado de capitais deixou de ser alternativa e passou a ocupar espaço central no financiamento das atividades.
Outro fator é o chamado efeito tesoura. Mesmo com ganhos de produtividade, o aumento no custo dos insumos e a pressão sobre os preços das commodities desafiam o equilíbrio das contas. Produzir mais já não garante rentabilidade, o que reforça a necessidade de controle rigoroso das despesas.
A rastreabilidade também ganha peso. A conformidade ambiental, especialmente diante das exigências da EUDR, deixou de ser apenas pauta de sustentabilidade e se consolidou como barreira comercial imediata. Ao mesmo tempo, o risco climático passou a ser tratado como custo fixo, com o seguro rural apontado como gargalo operacional neste semestre.
Em um ano marcado por eleições e incertezas externas, a geopolítica do câmbio completa o quadro. O dólar assume papel decisivo e pode determinar o resultado financeiro da safra. Para Borba, o lucro agora está nos detalhes da gestão financeira, mais do que no volume produzido.