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Adubação nitrogenada da cultura do girassol no cerrado

Adubação nitrogenada da cultura do girassol no cerrado

O Girassol (Helianthus annuus L.) ocupa uma posição de destaque entre as culturas oleaginosas, sendo a quarta fonte de óleo vegetal mais consumida no mundo. Apresenta ainda, juntamente com a canola, as maiores taxas de incremento em produção de óleo para o consumo humano, respondendo atualmente por uma produção de cerca de 22 milhões de toneladas/ano. Além de possuir um elevado teor de óleo nas sementes (42% a 52%), este apresenta excelentes qualidades físico-químicas e nutricionais, sendo considerado um óleo "nobre". Os compostos derivados dos ácidos graxos poli-insaturados essenciais (ácidos linoléico e linolênico) desempenham importante papel na prevenção de doenças cardiovasculares, devendo ser ingerido na dieta pois o organismo humano não é capaz de sintetizá-lo.

Para o estabelecimento do girassol nos Cerrados é necessário conhecer as suas exigências nutricionais. Dentre os principais nutrientes o nitrogênio é um dos mais importantes para o desenvolvimento e produção das plantas.

# Adaptação aos solos e clima de Cerrado

A sua expansão na região dos cerrados se deve a ampla adaptação e tolerância à seca. Além disso, o girassol é mais uma espécie alternativa para uma maior diversificação dos sistemas agrícolas dos Cerrados, hoje calcados em poucas culturas e caracterizados por altos custos de produção. Para que ocorra uma expansão ainda mais rápida da cultura é preciso que se detenha conhecimentos nas diversas áreas científicas, entre elas a adubação que representa cerca de 40% do custo fixo da lavoura. Entre os nutrientes o nitrogênio é um dos mais importantes, pois afeta o desenvolvimento da planta, produção de grãos, tamanho dos aquênios, teor de óleo e proteína e, sua aplicação em excesso pode provocar o acamamento das plantas.

Num Latossolo vermelho escuro de Cerrado do Distrito Federal lavouras sem adubação nitrogenada a produção de grãos geralmente se situa em torno de 1200 kg/ha, desde que os outros nutrientes estejam em níveis adequados no solo, com a adubação nitrogenada pode-se aumentar o rendimento para 3000 kg de grãos por ha, ou mais desde que não nenhum outro fator afetando a cultura.

# Época de plantio

A época indicada para o plantio do girassol é do final de janeiro até meados de fevereiro. A população das plantas deve ser de 35 a 45 mil plantas/hectares. O espaçamento de 70 centímetros entre linhas, pois facilita sua colheita uma vez que se utiliza a colheitadeira de milho adaptada. O ciclo da cultura pode variar de 100 a 120 dias.

# Plantio nas águas

Para o plantio nas águas na região do Cerrados, que vai do final de janeiro até meados de fevereiro, período onde a restrição de água é menor a dose de nitrogênio deve ser de 30 a 40 kg N/ha no sulco de plantio e aos 25 dias após a emergência das plantas fazer a aplicação em cobertura de 50 a 80 kg de N/ha. Para a cultura do girassol irrigado, a dose deve ser aumentada para 160 a 180 kg N/ha dependendo do desenvolvimento da cultura e da expectativa de produção. Neste caso, toda a aplicação do N pode ser realizada através do sistema de irrigação.

# Girassol de safrinha (plantio no final da estação chuvosa)

Após um cultura de ciclo curto, geralmente, soja ou milho, planta-se o girassol para aproveitar o restante do período chuvoso. Neste caso, o plantio do girassol é semeado no final de fevereiro e início de março. Como neste período, as perdas de N por lixiviação tendem a ser menores, devido a redução na precipitação, recomenda-se aplicar entre 30 a 50 kg de N/ha no sulco de semeadura e aplicar em cobertura entre 40 a 60 kg de N/ha.

# Modo de aplicação

As perdas por volatilização de nitrogênio ocorrem, principalmente no caso da uréia quando é aplicada sobre solo seco e sem precipitação a seguida. Neste caso recomenda-se aplicar a uréia no sulco a entre 20 a 25 cm de distancia das plantas e cobrir com solo. Esta prática é particularmente recomendada para o girassol da safrinha onde a ocorrência de chuvas é mais escassa. Outra alternativa é usar fontes de nitrogênio que são mais caras do que uréia mas as perdas por volatilização são reduzidas.

No sistema irrigado, a aplicação do nitrogênio pode ser realizada através da água de irrigação.

Autores: Cláudio Sanzonowicz é especialista em fertilidade dos solos e Renato Amabile em melhoramento genético de culturas anuais, Embrapa Cerrados, Planaltina (DF).

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