Plantio da safrinha cresce e traz boas vantagens ao produtor
A safrinha é uma opção alternativa que cresce e traz com ela o aumento da receita do produtor
Aproveitar a entressafra para novas culturas pode ser uma ótima alternativa. Chamada de safrinha, a produção obtida nesse intervalo auxilia no manejo de plantas daninhas e pode trazer bons retornos financeiros ao produtor. Em alguns casos, como no milho, por exemplo, a produtividade chega a ser tão elevada que muitos já classificam o período como segunda safra.
De forma geral, a entressafra é conhecida como uma época de condições climáticas desfavoráveis à principal cultura da região. A planta não se adapta às mudanças e o solo fica ocioso e descoberto. A saída é buscar o plantio de outras espécies mais apropriadas. A medida abre caminho para a obtenção de uma lavoura comercial economicamente viável e, segundo o agrônomo da Mosaic Fertilizantes e doutor em solos e nutrição de plantas, Júlio Bertoni, ajuda na rotação de culturas, proporcionando outros benefícios ao produtor. “Uma rotação bem planejada, com a combinação de espécies de diferentes exigências nutricionais, velocidade de decomposição da palhada e produção de fitomassa torna o sistema mais eficiente, facilitando o controle integrado de pragas, doenças e plantas daninhas”, explica.
Atualmente, o Brasil cultiva mais de 9 milhões de hectares na entressafra. “Essa área vem aumentando devido, principal-mente, ao desenvolvimento de genótipos e técnicas de manejo apropriados para cada região”, diz Bertoni. Entre as principais culturas do período o destaque é o milho, que já representa cerca de 35% da área total destinada à safrinha, ou seja, cerca de 3 milhões de hectares. O plantio de outras culturas também apresenta tendência de crescimento. Para se ter uma idéia, considerando as principais áreas de safrinha de 2004/2005, a cultura de feijão representou 20% da produção total e o trigo chegou a 28,2%. Segundo Bertoni, as escolhas devem sempre levar em consideração a aptidão de cada genótipo para a região escolhida.
No caso da soja, por exemplo, o produtor pode antecipar o plantio e/ou utilizar genótipos precoces de modo a antecipar sua colheita para aproveitar o final da época das chuvas para plantar milho. Segundo Bertoni, a plantação da chamada soja precoce é muito comum e tem possibilitado bons retornos aos produtores. Quando, por qualquer motivo, o produtor não consegue antecipar a colheita da soja, a saída é utilizar o período de inverno e substituir a plantação de milho por trigo.
# CUIDADOS ESPECIAIS
Apesar dos excelentes resultados e da tendência de aumento da área, o produtor deve estar ciente dos riscos envolvidos no plantio da entressafra. As condições climáticas instáveis nas regiões tropicais exigem alguns cuidados e um planejamento adequado para o cultivo da safrinha.
O item que merece atenção em primeiro lugar é a escolha da área e da época do plantio. Esses fatores, segundo Bertoni, são primordiais para o correto planejamento da safrinha. “Os melhores resultados têm sido obtidos após soja precoce, permitindo uma melhor época de plantio. Entretanto, deve-se observar o período ideal indicado pelo fornecedor da semente para cada região”, alerta.
No que se refere ao genótipo, é preciso sempre escolher a cultura que melhor se adapta às condições locais. Segundo Bertoni, o produtor deve levar em consideração tanto as indicações do fornecedor da semente como a meta de produtividade almejada e a rusticidade do genótipo. É preciso, também, seguir corretamente a população de plantas indicada para cada genótipo em cada região. Outro cuidado é com a rotatividade das culturas da safrinha. Não é indicado plantar a mesma cultura de safrinha consecutivamente. Convém determinar um ciclo de rotação de culturas para obter melhores resultados.
A adubação é mais um ponto de extrema importância para quem quer obter boa produtividade no período da entressafra. De acordo com Bertoni, é preciso fazer sempre a adubação de plantio e cobertura de acordo com a recomendação do técnico responsável: “Uma adubação mal feita acarretará plantas com desequilíbrios nutricionais que, aliados a outros fatores, poderão contribuir para a redução da produção”, diz, destacando a importância da adubação nitrogenada de plantio. Para ele, se a adubação for bem realizada, a lavoura sofrerá menos. “Uma planta bem nutrida resiste mais às adversidades”, acrescenta. No caso do milho safrinha, especificamente, Bertoni informa que adubações de plantio maiores que 30 kg de nitrogênio por hectare têm sido recomendadas para áreas com bom potencial produtivo, principalmente devido ao papel desse nutriente no arranque inicial da lavoura e à impossibilidade de realização da adubação nitrogenada complementar de cobertura, que muitas vezes torna-se uma realidade, fruto de condições climáticas não favoráveis. Para garantir os melhores resultados é aconselhável buscar sempre o apoio técnico. Um agrônomo, técnico ou consultor da região pode auxiliar na implantação e condução de lavoura visando alta produtividade e melhor retorno financeiro.
# DICAS PARA UMA BOA SAFRINHA
As seis principais dicas para uma ótima segunda safra, de acordo com o agrônomo Júlio Bertoni, são:
1) escolha da área e época de plantio: deve ser observado o período ideal indicado pelo fornecedor da semente para cada região;
2) escolha do genótipo: escolha a cultura/variedade/híbrido que melhor se adapta às condições locais;
3) densidade de plantio: siga corretamente a população de plantas indicada para cada genótipo;
4) rotação de cultura: não plante a mesma cultura de safrinha consecutivamente. Dê preferência à rotação de cultura;
5) adubação: faça sempre a adubação de plantio e cobertura de acordo com recomendação de profissionais; e,
6) apoio técnico: orientações de um profissional especializado ajudarão a obter melhor produtividade e retornos financeiros.
Obs: A revista Agro Cargill é uma publicação trimestral editada pelo Departamento de Assuntos Corporativos para os produtores rurais, parceiros da Cargill e da Mosaic. Disponível em: www.cargill.com.br