Milho precoce: veja os híbridos que mais produziram
Pesquisa avaliou híbridos de milho em vários ambientes para orientar o manejo
Agrolink
- Seane Lennon
Foto: Agrolink
Ensaios conduzidos pelo INTA e pelo CREA na Argentina mostram diferenças importantes entre híbridos de milho precoce e revelam quais materiais apresentaram maior produtividade e adaptação a diferentes ambientes na safra 2025/26. Os testes envolveram até 30 híbridos em condições reais de produção, permitindo comparar rendimento, estabilidade e comportamento agronômico.
Os ensaios de plantio precoce conduzidos pelo INTA Marcos Juárez, CREA Sur de Santa Fe e INTA Oliveros reuniram dados do sudeste e sul de Córdoba e de Santa Fe. Os resultados foram apresentados durante uma oficina de atualização técnica organizada pela Estação Experimental Agropecuária INTA Marcos Juárez e pela região CREA Sur de Santa Fe.
Segundo dados divulgados pelo governo da Argentina, a rede Marcos Juárez avaliou, durante sete safras, o potencial produtivo, a estabilidade e o comportamento sanitário dos híbridos em diferentes ambientes de produção.
Na campanha 2025/26, participaram 30 híbridos de 18 empresas, avaliados em nove localidades: Bell Ville, Marcos Juárez, Inriville, Justiniano Posse, Camilo Aldao, Arias, Canals, Mattaldi e Río Cuarto.
Federico Pagnan, chefe da AER INTA Justiniano Posse e responsável pela apresentação da rede Marcos Juárez, destacou que a campanha foi favorável ao milho precoce. “Foi uma excelente campanha para o milho precoce. Começamos com uma boa recarga do solo e boas chuvas de primavera. Depois, a chuva parou, mas as áreas com maior capacidade de armazenamento passaram por esse período sem grandes problemas e obtivemos ótimos resultados”, explicou Pagnan.
A produtividade média de toda a rede foi de 12.683 kg/ha. Marcos Juárez registrou a maior média, com 15.866 kg/ha, seguida por Bell Ville, com 14.147 kg/ha; Inriville, com 13.528 kg/ha; e Justiniano Posse, com 13.163 kg/ha. Na outra ponta, Río Cuarto apresentou média de 10.830 kg/ha, enquanto Mattaldi registrou 8.878 kg/ha.
Entre os 30 materiais avaliados na rede Marcos Juárez, o NS 7765 VIP3, da Nidera, apresentou a maior produtividade média, com 13.428 kg/ha. Na sequência apareceram o BASF 5575 VT3P, com 13.377 kg/ha; o NK 825 VIP3 CL, da Syngenta, com 13.337 kg/ha; o DK73-73TRE, da Bayer, com 13.273 kg/ha; e o ACA 471 VIP3, com 13.060 kg/ha.
Pagnan afirmou que a rede permitiu identificar diferenças no desempenho agronômico dos materiais. Segundo ele, vários híbridos da Bayer apresentaram elevada tolerância a altas densidades de plantio. “Mesmo em ciclos com disponibilidade hídrica limitada, quando a densidade era superior à ideal, esses materiais praticamente não apresentaram perda de produtividade”, afirmou.
O pesquisador também destacou características específicas dos materiais. Segundo Pagnan, o NS 7765 apresenta bom rendimento por planta e uma espiga flexível, característica que favorece altas produtividades em densidades normais.
Já a NK 825 apresentou bom desempenho em densidades moderadas a altas e grande capacidade de produzir perfilhos férteis quando a população de plantas diminui.
A rede de ensaios CREA Sur de Santa Fe avaliou 18 híbridos de 13 empresas em 12 locais durante a safra 2025/26. Segundo dados divulgados pelo governo da Argentina, a rede também registrou rendimentos recordes.
A produtividade média foi de 13.882 kg/ha. A sub-região 3, formada por General Arenales, Eduardo, Teodelina e Villa Mugueta, alcançou a maior média, de 14.365 kg/ha. A sub-região 2, composta por Camilo Aldao, Monte Buey, La Cesira e Escalante, registrou 14.320 kg/ha. Já a sub-região 1, formada por Los Cardos, Colonia Medici, Clucellas e Chilibroste, apresentou média de 12.571 kg/ha.
O ACA 471 VIP3 liderou a classificação, com produtividade média de 14.562 kg/ha. Em seguida ficaram o BASF 5575 VT3P, com 14.470 kg/ha; o DK73-73TRE, da Bayer, com 14.403 kg/ha; o AFA 32-06 VT3P, com 14.354 kg/ha; e o LT3-02 TRE, da La Tijereta, com 14.125 kg/ha. Entre os materiais que também se destacaram estavam o NS 7765 VIP3, o DK69-62 TRE, o BASF 7349 VT3P e o BRV 8181 PWU.
Sobre o BASF 7349, Pagnan afirmou que “é um híbrido que tem apresentado bom desempenho tanto em plantios precoces quanto tardios”. Outro destaque foi o ST 9939 VIPTERA3, desenvolvido pelo programa de melhoramento genético da Stine na região de Venado Tuerto. “Foi um dos materiais com maior plasticidade reprodutiva. Possui o maior índice de prolificidade entre os híbridos que avaliamos e, mesmo com diferenças significativas na densidade de plantio, manteve a mesma produtividade”, afirmou Pagnan.
Segundo o pesquisador, em ambientes com produtividade em torno de 13.000 kg/ha, foram obtidos resultados semelhantes com 80.000 e 60.000 plantas, demonstrando elevada capacidade de compensação.
A rede de ensaios do INTA Oliveros avaliou 22 híbridos durante a campanha 2025/26, em 11 locais e sob condições reais de produção, com duas repetições. Os testes foram realizados em Runciman, Venado Tuerto, Rufino, Totoras, Las Rosas, Oliveros, Casilda, Gálvez, Cañada de Gómez, Pago de los Arroyos e Arroyo Seco.
A produtividade média da rede foi de 12.525 kg/ha. Runciman registrou a maior média, com 15.788 kg/ha, seguido por Venado Tuerto, com 15.467 kg/ha; Rufino, com 14.930 kg/ha; e Totoras, com 12.737 kg/ha. Já Arroyo Seco apresentou 6.471 kg/ha, Pago de los Arroyos, 7.571 kg/ha, e Cañada de Gómez, 9.505 kg/ha. Segundo os dados apresentados, essas foram as áreas mais afetadas pelo déficit hídrico.
A falta de chuvas durante dezembro e janeiro reduziu os rendimentos justamente em Cañada de Gómez, Pago de los Arroyos e Arroyo Seco. Entre os 22 híbridos avaliados, o BASF 5575 VT3 Pro apresentou a maior produtividade média, com 12.526 kg/ha. Depois vieram o NS 7765 VIP3, da Nidera, com 12.246 kg/ha; o LT 3-02 Trecepta, da La Tijereta, com 12.229 kg/ha; o DK73-73 Trecepta, da Dekalb, com 12.192 kg/ha; e o DK69-62 Trecepta, também da Dekalb, com 12.014 kg/ha.
Pagnan observou que, apesar de algumas mudanças na disposição dos materiais, houve alto grau de concordância entre os resultados das redes INTA Marcos Juárez, CREA Sur de Santa Fe e INTA Oliveros. “Os materiais são repetidos, e isso gera boas informações”, afirmou.
Adaptação do milho muda conforme o potencial produtivo
Além dos resultados das três redes, Pagnan apresentou uma análise que reuniu informações de ensaios conduzidos pelo INTA, CREA, Aapresid, universidades e outros locais experimentais independentes.
O objetivo foi caracterizar a resposta dos híbridos a diferentes níveis de produtividade e identificar os ambientes nos quais cada material consegue expressar melhor seu potencial.
Para isso, os pesquisadores relacionaram o desempenho de cada híbrido à produtividade média do ambiente onde foi avaliado. Materiais com inclinação próxima de um apresentam maior adaptação às variações ambientais e são considerados estáveis. Já aqueles com inclinação superior a um aumentam o desempenho mais que proporcionalmente quando o potencial produtivo melhora.
Híbridos com inclinação inferior a um, por outro lado, mantêm desempenho relativamente melhor em ambientes de produtividade média a baixa. Segundo Pagnan, não existe um único híbrido que seja o melhor em todos os ambientes. A análise permite posicionar cada material conforme as condições em que apresenta melhor desempenho e, a partir disso, definir o manejo mais adequado.
Entre os materiais com maior disponibilidade de dados, o BASF 5575 apresentou desempenho 7,2% superior à média dos testes dos quais participou e inclinação praticamente igual a um, indicando comportamento estável diante das variações de produtividade.
O ACA 471 apresentou desempenho relativo 3,7% superior à média, enquanto o DK73-73 ficou 4,5% acima da média. Ambos demonstraram resposta consistente às mudanças de produtividade dos ambientes avaliados. A NS 7765 apresentou rendimento relativo acima da média, mas inclinação superior a um, característica que a posiciona principalmente para ambientes de produtividade média a alta.
Já a DK69-62 combinou rendimento relativo próximo de 4% acima da média com inclinação de 0,86, indicando melhor adaptação a ambientes de menor potencial. Ao comparar híbridos, Pagnan ressaltou que algumas diferenças não aparecem quando se observa apenas a produtividade média. “O DK69-62 supera o DK7220 e o DK7272 em ambientes de produtividade média a baixa. Além disso, apresenta boa resistência da cana e secagem rápida, enquanto em ambientes com rendimentos superiores a 14.000 kg/ha, sacrifica parte do seu potencial”, afirmou.
O pesquisador também destacou a importância de integrar informações de diferentes redes de avaliação para melhorar o posicionamento dos híbridos. “Esses dados provêm de redes do INTA, CREA e Aapresid, conduzidas em campos de produtores e sem a influência de nenhuma empresa de sementes. Por isso, acreditamos que geram informações extremamente valiosas para a tomada de decisões”, afirmou.
Segundo Pagnan, o banco de dados reúne informações sobre um número maior de híbridos do que os apresentados durante o evento e está disponível para produtores e consultores interessados em consultar o comportamento de materiais específicos.