Apesar de um início de safra bom no estado do Paraná, produtores da região Oeste vivem um momento crítico com o aumento expressivo da população de buva nas lavouras soja. A buva é uma espécie de planta daninha que se desenvolve em beiras de estradas e em áreas não agriculturáveis e dali se espalha com facilidade para as lavouras, através de sementes que são carregadas pelo vento. “É um problema que vem se agravando nos últimos quatro anos e sua solução passa por uma análise detalhada do histórico de uso da área”, explica Dionísio Gazziero, pesquisador da Embrapa Soja.
De acordo com informações do engenheiro agrônomo Milton Dalbosco, da cooperativa Copacol, de Cafelândia, PR, o problema vem ocorrendo de forma generalizada e tem se mostrado mais grave nas áreas onde o milho safrinha é cultivado no inverno. “Temos orientado os produtores a cultivar aveia após a colheita da safrinha de milho. As áreas não podem ficar descobertas. Onde a buva nasce, ela vira problema”, avalia Dalbosco.
Pensando em planejamento a médio e longo prazo, o produtor que está enfrentando o problema nesta safra deve procurar fazer um diagnóstico da área e usar as informações para planejar as estratégias de condução de sua propriedade já para a próxima safra de inverno. “É preciso avaliar como foi realizado o manejo de plantas daninhas nas culturas anteriores, na fase pós-colheita, considerar se os produtos e doses aplicadas seguem as recomendações e se as condições climáticas estavam adequadas”, explica Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa Soja. Nessa identificação das causas, vale até mesmo uma conversa com vizinhos cujas áreas não tenham o problema. “O vizinho pode ter uma experiência interessante de manejo para compartilhar”, destaca Adegas.
Outro aspecto que deve ser verificado é se o escape da buvaem algumas propriedades não é devido a resistência da planta aos herbicidas utilizados, o que pode ocorrer tanto nas lavouras convencionais como nas transgênicas.
Ainda nessa safra, o que pode ser feito é basicamente a catação manual das infestantes, evitando assim a formação de sementes e o aumento das populações futuras. Na seqüência das ações, a orientação é evitar que a buva continue a se disseminar, utilizando as diversas ferramentas no manejo integrado, como o controle químico, o controle cultural através da ocupação das áreas de plantio durante o ano todo e, até mesmo a capina manual, todas medidas que ajudam a reduzir o banco de sementes. Mas o mais importante é compreender as causas que estão levando ao desequilíbrio. “O manejo de plantas daninhas deve considerar todo o sistema de produção da propriedade e não apenas a cultura que está sendo cultivada. Essa é uma condição para o sucesso”, explica Gazziero.
Para auxiliar as ações de controle, principalmente visando prevenir os problemas de resistência e facilitar o manejo dos herbicidas usados no controle de plantas daninhas, a Embrapa Soja disponibilizou na internet uma tabela periódica de herbicidas. “Sabemos que o uso continuado de um mesmo herbicida provoca mudanças na comunidade infestante e leva à necessidade de aumento da dose e até mesmo à redução no espectro de ação. Por isso, é preciso realizar a rotação dos produtos”, explica Gazziero.
Fique de olho: Catação manual é melhor opção
A buva compete com a soja, reduzindo a produtividade da lavoura. Como há dificuldade de controle químico pelos herbicidas tradicionalmente usados na soja e como ela se espalha rapidamente por meio das sementes levadas pelo vento, a única forma de diminuir o problema na atual safra é realizar a catação manual ou capina. “Nesta safra, não existe mais possibilidade de realizar o controle cultural e os herbicidas não têm se mostrado eficientes”, alerta o pesquisador Lineu Domit, da Embrapa Soja.
“A buva é uma planta fácil de ser visualizada na lavoura e pode ser arrancada com as mãos. A catação manual da buva deve ser feita antes do florescimento e da formação de sementes na lavoura. A buva catada hoje evitará milhares de sementes que estarão causando problemas nas lavouras de soja da próxima safra”, orienta Domit. A dica vale também para áreas de cabeceira de lavouras e para as margens de estradas e rodovias. O descarte da buva deve ser feito em locais onde as plantas sequem sem ocorrer a rebrota.