Cristina Arzabe, Recursos Naturais, Embrapa Meio-Norte/UEP Parnaíba
A busca por manejos agrícolas alternativos, objetivando o menor impacto sob o solo, a água, a biodiversidade nativa e a saúde do agricultor e do consumidor final, conduz a novos campos de pesquisa, onde a compreensão sobre o controle biológico natural dos insetos capazes de causarem dano econômico às lavouras é um deles.
Todos os seres vivos, incluindo os insetos, possuem uma capacidade inerente de crescer em número e, ao mesmo tempo, estão cercados por um conjunto de fatores ecológicos, de natureza física e biológica, que impede que isso ocorra. Fatores supressores de natureza biológica envolvem parasitóides, predadores e patógenos, entre outros. A falta desses organismos no sistema agrícola, somado a uma super-oferta de alimento para uma dada espécie, pode ocasionar um aumento de suas populações, tornando-a “praga”.
Em 1998 dois importantes livros editados nos Estados Unidos reuniram as pesquisas que visam à compreensão dos agroecossistemas dentro dessa perspectiva, cujos títulos em português são: “Realçando o controle biológico: manejo do habitat para promover inimigos naturais de pragas agrícolas” (Enhancing Biological Control: Habitat Management to Promote Natural Enemies of Agricultural Pests) e “Controle biológico da conservação” (Conservation Biological Control).
Posteriormente, em 2000, três pesquisadores, um americano, um neo-zelandês e outro australiano, fizeram uma revisão sobre as pesquisas desenvolvidas nesse campo do conhecimento, cujo artigo tem como título em português “Manejo do Habitat para Conservar Inimigos Naturais de Artrópodes Pragas na Agricultura” e conta com mais de 180 artigos científicos citados. Estes visam compreender o meio ambiente para fornecer, dentro dos sistemas agrícolas, locais favoráveis aos predadores/parasitóides, de modo que estes permaneçam nos sistemas e realizem seus serviços ambientais, entre eles, o de manter as populações de insetos fitófagos em números que não causem dano econômico às lavouras.
Em 2003, Miguel Altieri e colaboradores lançaram, no Brasil, o livro “O papel da biodiversidade no manejo de pragas”, em português, pela Editora Holos. Em 2006, a Embrapa lança seu “Marco Referencial em Agroecologia”, sinalizando novos caminhos na área da pesquisa agrícola no país, com vistas à busca de uma agricultura sustentável.
Em 2007 é lançada uma publicação no Australian Journal of Experimental Agriculture, cujo título em português é “Organismos benéficos como bioindicadores da sustentabilidade ambiental na indústria de uva da Austrália”, onde Thomson e colaboradores apontam como o incremento da biodiversidade está sendo considerado importante para a agricultura neste país e como o estudo de invertebrados benéficos, que têm impacto direto sobre a abundância dos insetos “praga”, pode ser importante para identificar práticas agrícolas que são realmente sustentáveis.
Seguindo essa linha, o Laboratório de Ecologia de Artrópodes e Pequenos Vertebrados da Embrapa Meio-Norte/UEP Parnaíba tem como objetivo dar suporte a estudos comparativos desenvolvidos em sistemas naturais, agroecossistemas convencionais e sob manejo conservacionista, envolvendo predadores vertebrados e invertebrados de insetos causadores de danos econômicos às lavouras, visando validar ou sugerir, no futuro, técnicas que favoreçam sua presença nos sistemas agrícolas, com ênfase naqueles orgânicos estabelecidos no Distrito de Irrigação dos Tabuleiros Litorâneos do Piauí (DITALPI), objetivando maior estabilidade com menor custo econômico e ambiental. O laboratório conta com o apoio da Universidade Federal do Piauí e do Instituto Butantan.