A produção brasileira de trigo concentra-se nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os dois primeiros estados contribuem com mais de 90% da produção nacional. Nesta região, as espigas de trigo são freqüentemente afetadas por giberela, doença também conhecida pelo nome de fusariose. Esta doença fúngica é causada, principalmente, pelo ascomiceto Gibberella zeae (anamorfo Fusarium graminearum).
A giberela pode afetar a cultura de trigo a partir do espigamento, antes mesmo do florescimento, até a fase final de enchimento de grãos. Os sintomas de giberela nas espigas de trigo são identificados pela despigmentação de espiguetas, que adquirem coloração esbranquiçada ou cor de palha. Nas espiguetas atacadas por giberela, os grãos quando formados são chochos, enrugados de coloração branco-rosada a pardo-clara. O tamanho do grão afetado varia em função do estádio de desenvolvimento em que a espigueta foi infectada pelo patógeno.
A giberela tem como condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento, freqüente precipitação pluvial e temperatura entre 20 e 24ºC. Esta condição climática é freqüente na região sul do Brasil. Em períodos mais secos, como anos de ocorrência do fenômeno La Niña, a giberela não é considerada problema em trigo. O mesmo não se verifica em anos de ocorrência de El Niño, em que condições climáticas de temperatura e precipitação pluvial acima da média são extremamente favoráveis à doença. Se as previsões climáticas para o segundo semestre de 2007, com chuvas dentro do normal a abaixo da média, se confirmarem, a giberela não deverá ser problema nas lavouras de trigo e de outros cereais de inverno como a cevada e o triticale, na próxima safra.
Atualmente, não existem cultivares de trigo, de cevada e de triticale, indicadas para plantio com bom nível de resistência à giberela. A rotação de culturas tem-se mostrado também pouco eficiente para o controle dessa doença. A redução dos danos causados reside na adoção de cultivares menos suscetíveis associada ao uso de fungicidas. O controle químico, com os fungicidas atualmente disponíveis, tem eficiência moderada e aumenta em US$30 dólares o custo de produção. Além disso, o controle químico poderá não ser efetivo, devido ao longo período de suscetibilidade das espigas (a partir do espigamento até a fase final de enchimento de grãos), bem como às dificuldades para aplicação, no momento adequado. Para minimizar os prejuízos, o agricultor pode fazer uso de estratégias de manejo como o escalonamento de semeadura e/ou a semeadura de cultivares com ciclos distintos ao espigamento visando ao escape da doença, de pelo menos parte da área semeada. O escape à doença pode ocorrer quando, a partir do espigamento, as condições ambientais de precipitação pluvial e temperatura forem desfavoráveis ao patógeno.
A Embrapa Trigo disponibiliza aos produtores oito cultivares de trigo moderadamente resistentes à giberela (BRS 177, BRS 179, BRS Louro, BRS Timbaúva, BRS Camboim, BRS Umbu e BRS Tarumã e BRS Guamirim). Esse nível de resistência genética, não dispensa o uso auxiliar do controle químico em anos muito favoráveis à doença. A integração de um maior número possível de medidas de controle é a melhor estratégia para minimizar os prejuízos por giberela em culturas suscetíveis.