As decisões de controle devem levar em conta os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e consistem em tomadas de decisão de controle através de vistorias regulares à lavoura, para verificar o nível de ataque através da desfolha, do percentual de plantas atacadas, do percentual de vagens atacadas, do número e do tamanho das pragas. Por exemplo, no caso das pragas desfolhadoras e sugadoras, devem ser feitas amostragens com pano-de-batida, usado entre duas fileiras, nas quais as plantas são sacudidas para a queda dos insetos para contagem, em vários pontos das lavouras. Isto porque a simples observação visual sobre as plantas não expressa a população real das pragas presente na lavoura.
Os insetos-pragas são categorizados como principais e secundários em função de sua freqüência, abrangência e danos provocados na cultura. As pragas consideradas principais são:
1) Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmattalis, Hubner, 1818): É o mais comum dos insetos desfolhadores que atacam a cultura da soja. Ocorrem na cultura de novembro a março e seu pico de população ocorre de janeiro a março, conforme a região. O adulto faz sua postura à tardinha e à noite, na parte inferior das folhas.
2) Lagarta-mede-palmo (Pseudoplusia includens, Walker, 1857): Alimenta-se de folhas, mas não das nervuras, conferindo um aspecto rendilhado à lavoura. Atualmente os danos da largarta-mede-palmo são bem inferiores aos da lagarta-da-soja, mas como as duas ocorrem na mesma época, essa praga é considerada praga principal. Sua ocorrência predomina no Paraná e em São Paulo, com pico populacionais maiores de dezembro a fevereiro.
Estas lagartas devem ser controladas quando forem encontradas, em média, 40 lagartas grandes (1,5 cm) por pano-de-batida (duas fileiras de plantas), ou com menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores.
A lagarta da soja pode ser controlado com o uso de Baculovirus anticarsia, que é um vírus que ataca especificamente esta lagarta, causando uma doença conhecida como "doença-preta". No início, as lagartas mortas apresentam coloração amarelada, corpo mole e com o passar do tempo tornam-se escuras ou pretas. Para funcionar, o vírus tem de ser ingerido pelas lagartas, e dentro de seu corpo multiplica-se, aumentando a quantidade, acabando por matá-las. Depois de uma semana, mais ou menos, as lagartas mortas apodrecem e soltam mais vírus sobre a soja, matando outras lagartas sadias que vão nascendo.
Como limites para uso desta forma de controle considera-se como o máximo de 40 lagartas pequenas ou 30 lagartas pequenas e 10 lagartas grandes por pano-de-batida. Em condição de seca prolongada e com plantas menores de 50 cm de altura, reduzir esses níveis para a metade, para a aplicação de Baculovírus. Para preparar o produto a base de Baculovírus, deve-se utilizar uma quantidade de aproximadamente 50 lagartas.ha-¹ mortas pelo próprio vírus, maceradas em um pouco de água, ou 20 g.ha-¹ da formulação em pó molhável. Em situações nas quais a população de lagartas grandes já tenha ultrapassado o limite para a aplicação de Baculovírus puro (mais que 10 lagartas grandes/pano) e for inferior ao nível preconizado para o controlequímico (40 lagartas grandes/pano), o Baculovírus pode ser utilizado em mistura com o inseticida profenofós ou com endossulfam, na dose de 30 g i.a.ha-¹ e 35 g i.a.ha-¹, respectivamente.
3) Percevejo-verde (Nezara viridula, Linneus, 1758): O adulto põe ovos na face interior das folhas, dispostos na forma de hexágonos. O percevejo suga a seiva das plantas, danificando os grãos e podendo causar distúrbios fisiológicos chamados retenção foliar ou soja louca. O seu dano já inicia quando as ninfas estão no terceiro estádio até se tornarem adultas.
O controle deve ser iniciado quando forem encontrados quatro percevejos adultos ou ninfas com mais de 0,5 cm por pano-de-batida. Em campos de produção de sementes, o nível deve ser reduzido para dois percevejos por pano-de-batida. Se forem contados os insetos das plantas de apenas um metro de fileira, reduzir a população crítica para a metade (dois e um percevejos, respectivamente). Em certas situações, o controle químico pode ser efetuado apenas nas bordas da lavoura, sem necessidade de aplicação de inseticida na totalidade da área, porque o ataque destes insetos se inicia pelas áreas marginais, aí ocorrendo as maiores populações. Uma alternativa econômica é a mistura de sal de cozinha (cloreto de sódio) com a metade da dose de qualquer um dos inseticidas indicados para controle da praga. O sistema consiste no uso de apenas 50% da dose indicada do inseticida, misturada a uma solução de sal a 0,5%, ou seja, com 500 gramas de sal de cozinha para cada 100 litros de água colocados no tanque do pulverizador, em aplicação terrestre. O primeiro passo é fazer uma salmoura separada e, depois, misturá-la à água do pulverizador que, por último, vai receber o inseticida.
4) Broca-das-axilas (Epinotia aporema, Walsinghan, 1914): Até pouco tempo atrás não era considerada praga principal. Com o aumento da área de plantio e, provavelmente, com a diversificação de cultivares utilizados, sua incidência tem aumentado consideravelmente. O ataque inicia-se pelos brotos das plantas, antes que os mesmos se desenvolvam totalmente. As lagartas alimentam-se de parte dos folíolos, e mais tarde tecem uma teia, unindo-os e impedindo a sua abertura. O broto atacado pode morrer ou crescer deformado. Outras partes da planta, com caule, ramos e folhas podem ser atacadas também. Controlar quando a lavoura apresentar em torno de 25% a 30% de plantas com ponteiros atacados.
5) Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus): Os danos são causados tanto pelos adultos, que raspam o caule e desfiam os tecidos, como pelas larvas, brocando e provocando o surgimento de galha. O controle químico desse inseto não tem sido eficiente. As larvas ficam protegidas no interior das galhas e os adultos, além de emergirem do solo por um longo período, ficam a maior parte do tempo sob a folhagem da soja nas partes baixas da planta. Algumas práticas culturais podem ser utilizadas para, gradualmente, diminuir a sua ocorrência.
A rotação de culturas é a técnica mais eficiente para o seu manejo, mas sempre associada a outras estratégias, como plantas-iscas e controle químico na bordadura da lavoura. Tais práticas propiciam reduzido percentual de plantas mortas e danificadas e maior produtividade, no final do período de rotação soja-milho-soja, quando comparado ao monocultivo de soja. Em áreas onde ocorreram danos da praga é indicado substituir a soja por uma espécie não hospedeira (milho, milheto, sorgo ou girassol), para interromper o ciclo biológico do inseto.
As instituições de pesquisas recomendam cuidados para o manuseio e emprego de defensivos no controle de pragas da soja, tais como:
• Somente utilizar inseticidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a praga-alvo que deseja controlar;
• Usar equipamento de proteção individual (EPI) apropriado, em todas as etapas de manuseio de agrotóxicos, a fim de evitar possíveis intoxicações;
• Não fazer mistura em tanque;
• Evitar aplicações em dias ou em horários com ventos fortes, visando reduzir a deriva dos jatos, tornando mais eficiente a aplicação e reduzindo possíveis contaminações de áreas vizinhas;
• Observar o período de carência do produto, principalmente no controle de pragas de final de ciclo da cultura;
• Ler com atenção o rótulo e a bula do produto e seguir todas as orientações e os cuidados com o descarte das embalagens;
• Devolver as embalagens vazias (após a tríplice lavagem).