A safra 2009/10 se inicia com os fundamentos do setor em ordem. As perspectivas para o açúcar são muito boas, já que o Brasil deve ser beneficiado pelo cenário de déficit de 4,2 milhões de toneladas nos estoques mundiais. Em relação ao etanol, haverá de redução nas exportações - de 5,5 bilhões de litros em 2008 para 3,75 bilhões neste ano - por conta da crise econômica nos Estados Unidos, nosso principal comprador, e da queda no preço do petróleo.
No entanto, a redução nos embarques de etanol deve ser compensada pela demanda interna, que segue aquecida por conta dos carros flexíveis. A estimativa é que neste ano entrem em circulação cerca de 2 milhões desses veículos. Já a remuneração da cana tende a empatar com a do ciclo anterior ou melhorar. Apesar de o cenário ser favorável, a crise financeira espalhou incertezas para essa nova safra.
Para um setor que já vinha enfrentando percalços nos dois últimos ciclos em função de preços não-remuneradores, a crise financeira mundial trouxe mais dificuldades para todos os elos da cadeia e agravou a situação daqueles que investiram muito para participar do processo de expansão e das indústrias que já estavam com problemas financeiros.
A região de Ribeirão Preto foi especialmente afetada por ser o centro da produção sucroenergética brasileira. Dez das cerca de 20 unidades industriais da área de abrangência da Canaoeste encerraram a safra com atraso no pagamento a seus fornecedores de cana e isso gera um efeito cascata. Por se tratar de uma cadeia, quando um elo se rompe todos os demais sofrem os efeitos. Os reflexos são mais aparentes nos arredores de Pontal, Ribeirão Preto, Sertãozinho e no distrito de Cruz das Posses.
Felizmente, as demais unidades industriais já sinalizaram que irão manter a regularidade nos pagamentos, de acordo com o estabelecido no Consecana, que fixa os parâmetros para a remuneração da cana. No entanto, muitos fornecedores, diante da insegurança e da falta de definição por parte das unidades inadimplentes, passaram a procurar outras indústrias para entregar sua cana, gerando na região uma oferta desencontrada de matéria-prima.
É difícil assistir às situações de desemprego e de dificuldades enfrentadas pelas famílias de trabalhadores, fornecedores e produtores de cana, já que todos têm seus compromissos a serem honrados. A Orplana, que defende os interesses dos fornecedores independentes de cana, e a Unica, que representa as indústrias, têm buscado em conjunto medidas para amenizar essa situação e corrigir as distorções no mercado - como a queda no preço do etanol por conta do excesso de oferta - e as associações regionais de produtores e trabalhadores também estão se mobilizando para contribuir para a construção de uma solução ao problema.
A normalidade será restabelecida se todas as unidades conseguirem iniciar a moagem e isso certamente será alcançado.
Assim, apesar dessas dificuldades, os horizontes continuam positivos para o agronegócio da cana. Basta observar que não faltam investidores estrangeiros de peso interessados em participar do setor. No entanto, entre o hoje e o futuro promissor há um espaço de tempo em que será preciso arregaçar as mangas, trabalhar duro e fazer alguns sacrifícios para, finalmente, alcançar os bons tempos e desfrutá-los.
*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo)
No entanto, a redução nos embarques de etanol deve ser compensada pela demanda interna, que segue aquecida por conta dos carros flexíveis. A estimativa é que neste ano entrem em circulação cerca de 2 milhões desses veículos. Já a remuneração da cana tende a empatar com a do ciclo anterior ou melhorar. Apesar de o cenário ser favorável, a crise financeira espalhou incertezas para essa nova safra.
Para um setor que já vinha enfrentando percalços nos dois últimos ciclos em função de preços não-remuneradores, a crise financeira mundial trouxe mais dificuldades para todos os elos da cadeia e agravou a situação daqueles que investiram muito para participar do processo de expansão e das indústrias que já estavam com problemas financeiros.
A região de Ribeirão Preto foi especialmente afetada por ser o centro da produção sucroenergética brasileira. Dez das cerca de 20 unidades industriais da área de abrangência da Canaoeste encerraram a safra com atraso no pagamento a seus fornecedores de cana e isso gera um efeito cascata. Por se tratar de uma cadeia, quando um elo se rompe todos os demais sofrem os efeitos. Os reflexos são mais aparentes nos arredores de Pontal, Ribeirão Preto, Sertãozinho e no distrito de Cruz das Posses.
Felizmente, as demais unidades industriais já sinalizaram que irão manter a regularidade nos pagamentos, de acordo com o estabelecido no Consecana, que fixa os parâmetros para a remuneração da cana. No entanto, muitos fornecedores, diante da insegurança e da falta de definição por parte das unidades inadimplentes, passaram a procurar outras indústrias para entregar sua cana, gerando na região uma oferta desencontrada de matéria-prima.
É difícil assistir às situações de desemprego e de dificuldades enfrentadas pelas famílias de trabalhadores, fornecedores e produtores de cana, já que todos têm seus compromissos a serem honrados. A Orplana, que defende os interesses dos fornecedores independentes de cana, e a Unica, que representa as indústrias, têm buscado em conjunto medidas para amenizar essa situação e corrigir as distorções no mercado - como a queda no preço do etanol por conta do excesso de oferta - e as associações regionais de produtores e trabalhadores também estão se mobilizando para contribuir para a construção de uma solução ao problema.
A normalidade será restabelecida se todas as unidades conseguirem iniciar a moagem e isso certamente será alcançado.
Assim, apesar dessas dificuldades, os horizontes continuam positivos para o agronegócio da cana. Basta observar que não faltam investidores estrangeiros de peso interessados em participar do setor. No entanto, entre o hoje e o futuro promissor há um espaço de tempo em que será preciso arregaçar as mangas, trabalhar duro e fazer alguns sacrifícios para, finalmente, alcançar os bons tempos e desfrutá-los.
*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo)


