Lagarta do cartucho do milho deve ter controle com ação de choque
Por destruir as folhas, essa praga pode reduzir a produção do milho em até 30%, dependendo do grau de infestação, sendo a época próxima ao florescimento, o período crítico de seu ataque.
A lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) apareceu no Brasil pela primeira vez em 1964 e, de lá para cá, vem trazendo prejuízos aos produtores de milho de todo o País. São conhecidas, também, por lagartas dos milharais e lagarta militar. Ataca mais nos climas secos e, durante os veranicos, como ocorre no Paraná, região Sul do Mato Grosso do Sul e no Sudoeste de Goiás. Essa praga apresenta maior ocorrência nas lavouras, a partir de dezembro, quando aumenta o calor. As altas temperaturas facilitam a sua proliferação.
A Spodoptera frugiperda, se não for controlada, pode causar a perda da planta, pois destrói o sistema foliar. O período mais crítico, e que deve ser observado atentamente pelo produtor, são as quatro semanas seguintes à emergência da planta, quando a lagarta raspa a folha. Uma infestação da praga destrói as folhas, podendo reduzir em até 30% a produção do milho, de acordo com o grau da infestação. Sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais de milho, com 13 milhões de hectares de área plantada e uma produção anual estimada em 40 milhões de toneladas de grãos, dá para imaginar a importância desse manejo. Estima-se que os prejuízos anuais possam chegar a 400 milhões de dólares. Mas não só os produtores de milho sofrem com essa praga. Ela também está presente, causando danos às plantações de arroz, sorgo, trigo, amendoim, algodão, alfafa, feijão, tomate, entre outras.
No caso do milho, a proliferação acontece quando as mariposas põem os ovos na página superior das folhas. Após três dias, nascem as lagartas, que passam a se alimentar das folhas mais novas do milho. Após completo desenvolvimento, elas atacam todas as folhas centrais, destruindo-as completamente. Sua coloração varia de parda escura, verde até quase preta. Apresentam três finíssimas linhas longitudinais branco amareladas na parte dorsal do corpo. Na parte lateral, logo abaixo da linha branco amarelada, existe uma linha escura mais larga e, inferiormente a esta, uma listra amarela irregular marcada com vermelho.
O controle se dá pelo uso de vários eficazes grupos de inseticidas, entre eles os piretróides, logo que surjam os primeiros sintomas de ataques, raspagens das lagartas ao cartucho.
Luiz Cláudio Micelli é Gerente de Produto da FMC Agricultural Products.