Em época de plantio de trigo e outros cereais de inverno é importante atentar às pragas iniciais, ou seja, aquelas que ocorrem nos primeiros estágios de desenvolvimento da cultura. Tem-se portanto, duas situações corriqueiras nesta época: de pragas que já se encontram na terra, antes do plantio, e pragas que migram até a área logo após a emergência das plantas.
De acordo com José Roberto Salvadori, pesquisador da Embrapa Trigo, o caráter para ser praga inicial, entende-se até a fase de emborrachamento da cultura ou pré-espigamento. Dois tipos principais de pragas ocorrem nessa fase, os corós e os pulgões.
OS CORÓS
Os corós são larvas de coleopteros que vivem no solo e que já estão presentes na área, quando planta-se o trigo, por exemplo. São caracterizados por serem insetos de ciclo longo ( 1 a 2 anos) e sincronizados com o clima. "Nem todo coró é praga. Quando cava-se o solo vê-se vários tipos destes. Cada espécie tem um desenho típico nos pêlos de seu corpo. O importante é amostrar para que a dúvida sanada", destacou Salvadori.
No entanto, para combatê-los, há a possibilidade de, antes de plantar, decidir o que fazer com eles. Quando instalados no solo, por serem rizógafos, eles comem as raízes das plantas podendo destruí-las por completo trazendo danos como a mortalidade de plantas, comprometendo a capacidade de produção.
Entretanto, o coró não ataca só o trigo, mas sim todas as culturas, inclusive leguminosas. É o que a ciência chama de inseto polífago. Portanto, Salvadori indica a tomada de decisão quando houver 5 corós por m2 e, principalmente, antes de plantar.
PULGÕES
Os pulgões constituem uma praga inicial que chega a lavoura tão logo a cultura começa a emergir. Para os pulgões, a cultura (trigo, cevada, triticale, aveia) serve de fonte de alimento.
Tem-se mais de 10 tipos de pulgões, no entanto somente 4 interessam à agricultura sendo que estes, tem ciclo médio de 5 a 10 dias. Eles costumam ser: atacadores de espiga, de folha e até de raiz.
Os pulgões são insetos menores que os corós. O dano provocado por ele nas lavouras é de sucção de seiva da planta, competindo assim com a mesma.
O pesquisador explica que os pulgões são os vetores de uma doença do trigo chamada VNAC (Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada). Por esta doença não ter mecanismo próprio de passar de uma planta a outra, ela depende de o pulgão transportá-la.
O pulgão é seletivo em relação às plantas pois ataca somente cereais de inverno. Então, Salvadori indica, para se tomar a decisão, no caso do trigo, para que se dê maior atenção quando houver 10% das plantas infestadas e, na fase mais adiantada do ciclo, 10 pulgões por afilho.
O CONTROLE BIOLÓGICO
De acordo com Salvadori, os pulgões ocorrem em todo o sul do país (RS,SC e PR). Já os corós, são mais regionais, ocorrem especialmente no RS e SC. Os sintomas, no caso dos pulgões, é o de folhas amareladas e, no caso de corós, a planta fica murcha seca e morre. Contudo, o pesquisador ressalta que existem para ambos os tipos de pragas, o controle natural, ou seja, o controle biológico.
Para os pulgões este controle é realizado por pequenas vespas, joaninhas e fungos. No caso dos corós, tem-se os mesmos parasitas, porém, de espécies diferentes. Salvadori coloca que em ambos os casos, a natureza se encarrega de agir para combater. Ele conta que na Embrapa Trigo houve um programa de controle biológico, em que chegou-se a criar vespas e distribuí-las, hoje já se tem um número suficiente de vespas na natureza regional. O programa tem 29 anos e continua eficiente.
COMO PREVINIR
Salvadori explica que é essencial o monitoramento das pragas. "Até certo ponto tolera-se a presença delas e, sempre há a possibilidade de o controle biológico ser eficiente", diz. Se isso não acontecer, o pesquisador destaca para os corós o tratamento de sementes por inseticidas,em que se aplica na semente o inseticida e o coró se intoxica quando vai comer a semente ou a raiz.
Para pulgões a amostragem é feita por acompanhamento visual da contagem do número de insetos nas plantas. Os critérios para a tomada de decisão são de 10% de plantas infestadas na fase de afilhamento, para se pulverizar inseticida.
Outra alternativa cogitada por Salvadori é a de tratar a semente. "Se tratar para coró com certos inseticidas que vão circular na parte aérea, os bichos são intoxicados ao sugar". Com o pulgão tem-se ambas alternativas: tratar semente e pulverizar.
O tratamento de sementes pode até se tornar preventivo. "É mais pratico tratar a semente do que correr o risco de subestimar os pulgões", destaca Salvadori. Quanto ao coró, pode-se também tratar as sementes, sendo que este tratamento é extensivo aos pulgões. Mas, o contrário não pode ser, pois a dose que controla pulgões não controla corós. Mesmo assim, o pesquisador salienta para a importância na realização de amostragens nas lavouras antes da tomada de decisão envolvendo controle químico.