Resultados de fitossanidade de videiras
Para podermos competir no mercado externo ou mesmo conquistar o consumidor nacional, o produto final (vinho, suco ou uva para consumo in natura) devem apresentar uma série de características como colheita no ponto adequado da maturação, manejo do vinhedo (podas, adubações equilibradas e desbastes de cachos), manejo das plantas invasoras e controle de pragas e doenças. Este último ponto mencionado, se não tratado com seriedade, pode ser responsável pelas perdas significativas na produção, tanto na quantidade como na qualidade. Dificilmente um enólogo poderá elaborar um vinho de qualidade utilizando uvas atacadas por pragas ou por podridões. Da mesma forma, é de extrema importância que o produtor respeite o período de carência dos agrotóxicos, a fim de evitar a presença de resíduos nas uvas, que prejudicam da mesma forma a qualidade do vinho ou do suco produzido, bem como a saúde consumidor e a imagem dos produtos da região que vem sendo construída ao longo dos anos.
Diante deste cenário, a Embrapa Uva e Vinho, dentro de sua trajetória de mais de 30 anos de pesquisas com uva, vinho e fruteiras de clima temperado, apresenta os últimos resultados de pesquisas conduzidas na área de controle de doenças e pragas da videira.
Diversas doenças atacam a videira, entre elas o míldio, a antracnose, a escoriose, o oídio, as podridões do cacho como a podridão cinzenta e a podridão da uva madura e as doenças vasculares. Da mesma forma, pragas como a pérola-da-terra, filoxera, ácaros, cochonilhas, lagartas dos cacho e mosca-das-frutas estão presentes na maioria dos parreirais.
Danos econômicos podem ser evitados por meio do diagnóstico local, monitoramento e controle adequado. Além dos danos diretos destas pragas sobre a planta, algumas cochonilhas são transmissoras de viroses, que contribuem para a redução na produtividade, da qualidade da uva produzida e também podendo contribuir para declínio e morte de plantas.
No mercado existem uma grande quantidade de marcas comerciais de fungicidas registrados para videira, ao contrário dos inseticidas. A escolha dos fungicidas para o controle das doenças da videira devem levar em consideração sua maior eficácia para a doença alvo, seu menor custo, período de carência, classe toxicológica III ou IV se possível, baixa toxicidade aos inimigos naturais e insetos benéficos, não causar fitotoxicidade nas plantas e não ter efeitos negativos durante a elaboração do vinho ou do suco.
Existem atualmente bons fungicidas para o controle das doenças da videira no Brasil, muitos deles também registrados na Itália, França, Espanha, Austrália, entre outros. Entretanto, para uma maior eficácia dos mesmos outras medidas devem ser tomadas pelo produtor, como a destruição ou enterrio dos restos culturais em parreirais atacados pela Glomerella (podridão da uva madura), pela antracnose, pela escoriose e pela podridão descendente. São nestes restos culturais que os fungos causadores destas doenças sobrevivem de uma safra para outra. Outras medidas também recomendadas são a utilização da calda sulfocálcida durante o período de dormência e a proteção dos ferimentos da poda com algum fungicida para evitar a entrada de fungos causadores da podridão descendente.
Diversos trabalhos de pesquisa foram desenvolvidos, pela Embrapa Uva e Vinho, neste últimos 8 anos com fosfitos de potássio. Estes produtos atuam dentro da videira tornando-as mais resistentes contra o míldio (mufa), principal doença da videira. Tanto utilizado isoladamente quanto em mistura com fungicidas tem proporcionado excelentes resultados.
Outro ponto importante que vale destacar, de nada adianta o produtor adquirir o melhor fungicida para uma determinada doença, se este não chegar ou mesmo cobrir adequadamente o alvo. A tecnologia de aplicação vem assumindo cada vez mais um fator decisivo no combate das pragas e doenças de plantas. A manutenção periódica dos pulverizadores, a regulagem correta e a aplicação no momento adequado são variáveis que devem estar presentes em todos os vinhedos comprometidos com a qualidade.
Caberá a cada produtor consultar o seu engenheiro agrônomo ou técnico antes da escolha dos agrotóxicos a serem utilizados no vinhedo e também buscar a cada dia novas informações para melhorar o seu processo produtivo. Sugere-se ainda evitar adquirir produtos “milagrosos”, muitos deles nunca testados na região, sem antes consultar o seu responsável técnico.
Autor: Lucas da R. Garrido