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Rastreabilidade no agro: desafios e perspectivas, segundo Rodrigo Ribeiro

Rastreabilidade no setor é um tema complexo que exige uma compreensão detalhada


Foto: Arquivo

De acordo com Rodrigo Ribeiro, a rastreabilidade no setor agropecuário é um tema complexo que exige uma compreensão detalhada de toda a cadeia produtiva, desde a origem das matérias-primas até a aplicação final dos produtos nos campos. Segundo ele, a grande dúvida que permeia o tema é sobre qual é o verdadeiro objetivo da rastreabilidade. "Quando falamos de rastreabilidade, a interpretação pode ser muito ampla", afirmou Ribeiro. Ele questiona se o objetivo é fazer a rastreabilidade do produto que foi aplicado em cada alimento e, se for esse o caso, qual informação exatamente deve ser rastreada: o nome comercial do produto, o princípio ativo ou algo mais profundo.

Rodrigo Ribeiro ressalta que, se o objetivo não for claramente definido, será impossível alcançar a rastreabilidade desejada, mesmo há longo prazo. Ele sugere que após a definição do objetivo e os responsáveis por cada etapa do processo, que se faça o mapeamento de toda a cadeia do produto, que envolve fornecedores das matérias-primas, fábricas, importadores, distribuidores e produtores, considerando inclusive aqueles que estão nas regiões mais remotas do país, para que se compreenda as restrições existentes. Atualmente com a globalização, produtos e matérias-primas são produzidos no mundo todo, assim as alterações exigidas pela rastreabilidade, vão exigir investimentos e modificações nas plantas no Brasil, China, Índia, Estados Unidos, Europa, Paraguai.

"Essa adaptação não será simples nem rápida", afirmou. A implementação da rastreabilidade, de acordo com ele, exigirá mudanças nas linhas de produção e nas embalagens, além da adaptação de todos os envolvidos na cadeia logística. Ele ressaltou que a padronização das embalagens, incluindo a etiquetagem de todos os produtos, será essencial para garantir a rastreabilidade correta, o que, no entanto, demandará tempo e investimentos.

A conectividade também foi destacada como um desafio. Rodrigo Ribeiro alertou que muitos produtores, especialmente os de pequeno porte, enfrentam dificuldades relacionadas à falta de acesso à internet ou sinal de celular no local que estão realizando a aplicação. Isso impede a implementação de tecnologias que exigem conexão contínua. "A solução precisa ser pensada para funcionar offline, o que representa mais um desafio", disse ele. O uso de aplicativos no campo para garantir a rastreabilidade, portanto, não pode depender de conexão constante, o que dificulta ainda mais a adaptação dos produtores a essa nova realidade.

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Outro ponto importante abordado por Rodrigo Ribeiro é que a rastreabilidade seja realizada através de uma etiqueta padrão e que esta contenha todas as informações necessárias a rastreabilidade, para que não haja a necessidade da inserção de nenhuma informação manual ou digitada. Ele entende que adoção do código de barras / QR Code é mais fácil do que uma outra tecnologia como o RFID, pois a maior parte da cadeia já tem coletores de dados ou smartfones capazes de fazerem a leitura e capturarem as informações das embalagens. Destaca que etiquetas diferentes terão de ser aplicadas nas embalagens primárias, secundárias e nos paletes dos produtos, para que não haja a necessidade de retrabalhos durante a movimentação. 

Atualmente, segundo ele, esse padrão não existe, o que dificulta o rastreamento e a identificação correta dos produtos ao longo da cadeia. A falta de um sistema padronizado de etiquetas pode gerar confusão e erros na leitura das informações, o que impede uma rastreabilidade eficiente.

Quanto ao impacto comercial dessa mudança, Rodrigo acredita que, embora não haja grandes problemas comerciais no longo prazo, tem de haver um período de transição. "O mercado tem milhões litros de produtos em circulação, assim não deveria ser requerido a adaptação do estoque existente aos novos padrões, isso demandaria muito tempo e geraria custos elevados. O ideal seria considerar que os produtos produzidos a partir de uma determinada data tenham todas as informações necessárias a rastreabilidade", alertou ele. Para Rodrigo Ribeiro, a falta de clareza sobre os padrões e responsabilidades de cada parte envolvida na cadeia produtiva pode gerar confusão, o que complicaria ainda mais o processo de adaptação.

Por fim, ele comentou o impacto dessa mudança sobre as empresas de logística. Segundo Rodrigo, com a exigência de rastreabilidade, a logística será significativamente afetada. Pressupondo-se que o padrão definido seja pelas etiquetas, também teremos um período de transição. "Hoje, temos muitos produtos sem código de barras, e com a rastreabilidade, considerando o cenário anterior de que os produtos em estoque não serão retrabalhamos, teremos que conviver com um período de transição, que teremos produtos com e sem as etiquetas, assim não poderemos setar no nosso sistema que a leitura daquele padrão de etiqueta é obrigatória ", outra incerteza que existe atualmente é sobre como será regulamentado no Brasil a responsabilidade de cada elo, teremos que fazer a leitura das informações apenas na entrada e saída dos nossos Centros de Serviço ou também na entrega? Se os distribuidores e produtores fizerem a leitura no recebimento, talvez esta etapa do transporte não seja necessária. Provavelmente teremos aumento dos custos nas operações logísticas e mais complexidade na organização e distribuição dos produtos, mas devido as incertezas sobre como tudo será regulamentado, ainda é cedo para contabilizarmos.

Segundo Rodrigo Ribeiro, a rastreabilidade no setor não será uma tarefa simples. Ela exige uma redefinição de processos, padronização de informações e um esforço conjunto de todos os elos da cadeia produtiva, do fabricante ao produtor. Sem clareza sobre os objetivos e responsabilidades, e sem uma adaptação tecnológica eficiente, o sistema de rastreabilidade pode enfrentar sérios desafios, especialmente no que diz respeito aos pequenos produtores e à logística de distribuição.
 

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