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Calor intenso e seca prejudicam lavouras e rebanhos

Região Sul enfrenta aumento do déficit hídrico e temperaturas elevadas


Foto: Freepik

A persistência de temperaturas elevadas na Região Sul, somada à redução dos níveis de umidade no solo, está provocando efeitos diretos nas lavouras e na pecuária. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a tendência para os próximos dias é de intensificação do calor e agravamento das condições de déficit hídrico, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

De acordo com o Inmet, o extremo sul do Rio Grande do Sul poderá registrar percentuais de umidade no solo inferiores a 20%, um patamar considerado crítico para o desenvolvimento das culturas. Esse cenário preocupa produtores, que já observam impactos visíveis nas plantações e no desempenho dos rebanhos.

As lavouras de soja em fase vegetativa apresentam sintomas de envelhecimento precoce, com amarelamento das folhas inferiores — um indicativo clássico de estresse hídrico e térmico. milho, feijão e arroz irrigado também estão em estágios fenológicos sensíveis, como florescimento e enchimento de grãos, momentos em que o clima exerce influência decisiva sobre a produtividade.

Sem umidade adequada, o processo de formação de grãos pode ser prejudicado, resultando em falhas e perdas de rendimento. A falta de chuvas aliada às altas temperaturas intensifica a transpiração das plantas, reduzindo sua capacidade de absorção de nutrientes.

As pastagens também sentem os efeitos da escassez hídrica. A umidade insuficiente no solo compromete o rebrote, impactando a oferta de forragem para o gado. Em resposta a essa limitação, cresce o risco de sobrepastejo — prática que acelera a degradação das áreas de pasto e pode causar perda de peso dos animais.

Além disso, o calor excessivo compromete o bem-estar dos bovinos, reduzindo seu apetite e o ganho de peso. Em sistemas de produção mais intensivos, essa queda na conversão alimentar pode se refletir em prejuízos econômicos imediatos.

Em meio ao estresse térmico e hídrico, o manejo adequado torna-se imprescindível. O Inmet recomenda medidas como a oferta constante de água e sombra para os animais, além do escalonamento do uso das pastagens para preservar áreas em melhores condições. No caso das lavouras, estratégias como irrigação suplementar, quando disponível, e o monitoramento de solo e clima são fundamentais para mitigar perdas. No entanto, nem todos os produtores têm acesso a recursos tecnológicos ou infraestrutura para enfrentar longos períodos de estiagem.

Apesar de uma leve redução nas temperaturas no fim de semana, a previsão para a próxima semana aponta novo aumento térmico em praticamente toda a Região Sul. A combinação entre calor persistente e baixa disponibilidade hídrica deve agravar o estresse nos sistemas produtivos.

O impacto esperado é duplo: redução da produtividade nas lavouras e maior custo de manutenção nos sistemas pecuários. Isso tende a pressionar os preços de insumos e alimentos, além de acender alertas sobre a segurança hídrica nas zonas agrícolas mais sensíveis. Com o prolongamento das condições adversas, cresce a preocupação com o abastecimento futuro e a estabilidade dos preços agrícolas. As safras de verão, em especial de grãos como soja e milho, representam a base da produção agropecuária nacional e sua vulnerabilidade climática afeta toda a cadeia.

 

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