O agronegócio brasileiro novamente está confirmando sua importância para a sustentação econômica e comercial do país. Em um momento de crise mundial aguda e longa, onde os negócios diminuem e o PIB caminha para resultado anual negativo, o setor primário brasileiro, no conceito técnico de agronegócio, volta a deixar sua marca positiva, mesmo sem ter o apoio que outros setores estão tendo e diante da ausência de uma política agrícola estrutural.
Para melhor exemplificar essa realidade, vamos analisar aqui os últimos números de nossa balança comercial e a participação do agronegócio na mesma. O Brasil, até o dia 19 de julho passado, registrava um superávit em sua balança comercial de US$ 16,14 bilhões.
O mesmo superava o resultado positivo da mesma época do ano anterior, que havia sido de US$ 13,29 bilhões. Ou seja, num período de forte crise mundial estamos obtendo melhores resultados comerciais do que no período de euforia econômica internacional. Todavia, importante se faz lembrar que os resultados das exportações e importações são bem menores, confirmando a nova realidade mundial: a de retração no comércio internacional devido a crise que se prolonga.
Assim, enquanto nossas vendas externas, em 2009, chegaram a US$ 78,04 bilhões, as importações registraram US$ 61,9 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano anterior, e com base na média diária, as exportações perderam 22,7% e as importações 29,6%. A queda nas vendas externas é ainda mais significativa ao se verificar que o câmbio, em 2009, esteve muito mais favorável aos exportadores do que em 2008. No período considerado, enquanto 2009 registrou média de R$ 2,17 por dólar, o ano de 2008 apresentou um valor médio de R$ 1,68.
Ou seja, o Real se desvalorizou 29,2%!
A Balança Comercial e o Agronegócio (II)
Por sua vez, a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, nos informa que o agronegócio brasileiro foi muito bem mais uma vez. Apesar do recuo igualmente no primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período do ano anterior, obteve um saldo comercial de US$ 26,36 bilhões, contra US$ 28,16 bilhões em 2008.
Com isso, o resultado do primeiro semestre de 2009, obtido pelo agronegócio nacional, ultrapassa largamente o saldo geral de nossa balança comercial, incluindo os 19 primeiros dias de julho.
Ou seja, mais uma vez, o saldo da balança comercial brasileira, até o momento, é obtido graças ao resultado positivo do agronegócio. Em caso contrário, estaríamos amargando forte déficit comercial, com todas as suas consequências econômicas e sociais.
Para a obtenção do saldo de 2009, o agronegócio brasileiro exportou US$ 31,44 bilhões (US$ 33,78 bilhões no ano passado) e importou US$ 5,09 bilhões (US$ 5,58 bilhões no primeiro semestre de 2008). O “complexo soja” e o setor sucroalcooleiro são os destaques de nossas vendas externas. Já o destino de nossos produtos do agronegócio, nesse ano, foi, pela ordem: China, que aumentou em 33,9% suas compras no período, para chegar em US$ 5,3 bilhões.
Ela foi seguida pela Holanda, EUA, Rússia e Alemanha, com a diferença que estes diminuíram suas compras do setor no Brasil, em média 25% em relação ao primeiro semestre de 2008. A Bélgica, que aumentou suas compras em 4,5% nesse ano, vem em sexto lugar com US$ 1,2 bilhão no semestre.
Esse quadro nos reporta a, pelo menos, duas conclusões: precisamos valorizar ainda mais o agronegócio nacional, construindo uma política agrícola de longo prazo; e diversificar mais a pauta exportadora, agregando maior valor aos produtos via tecnologia e industrialização.