O atual momento da economia mundial, onde a disputa entre mais mercado ou mais Estado na economia ficou mais presente, a partir da crise econômico-financeira iniciada em 2007/08, traz importantes modificações na postura e compreensão dos fenômenos econômicos entre as instituições internacionais e mesmo entre os diferentes governos e suas ideologias. Excetuando os radicais de qualquer bordo, com os quais pouco se aprende e muito se perde, no restante as lições são interessantes.
A CEPAL, por exemplo, desde o início dos anos de 1990, percebendo a forte mudança na linha econômica internacional, gerou o neo-estruturalismo, através do qual passou a aceitar a importância da economia de mercado, sem perder de vista a necessidade dos justos avanços sociais na América Latina.
Os governos ditos de esquerda passaram ao centro, procurando equilibrar o discurso do desenvolvimentismo a qualquer preço e o pragmatismo econômico necessário. Nem que, para isso, caiam em contradições. Nesse sentido, assistimos a presidente Dilma discursar em Porto Alegre, no dia 14/10, afirmando que o Brasil, na busca de uma solução conjunta para a crise mundial, não “deixará” o FMI exigir ajustes estruturais, por ela considerados draconianos, aos países combalidos atualmente, como os exigidos do Brasil nos anos de 1980 e 1990.
No mesmo momento, seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncia que o G20, e o Brasil com ele, deverá detalhar “um reforço do FMI para que tenha mais recursos para enfrentar a situação desses países [em crise]”.
A evolução do FMI (II)
Entre jogar para a plateia e agir na economia real há um enorme passo! O próprio FMI, do qual o Brasil é membro nato, criado para regular o sistema monetário internacional em 1944, acaba de modificar sua postura, procurando adaptá-la às necessidades urgentes do mundo atual em crise.
Em nota divulgada no início de 2011 e só agora vista com mais atenção, o Fundo informa que os controles de capitais têm seu lugar entre os instrumentos que os governos devem usar para controlar os fluxos de capitais, especialmente os especulativos. Assim, estamos diante de uma nova tipologia dos instrumentos de “gestão dos fluxos de capitais”, dentre os quais os controles de capitais são assinalados muito mais como instrumentos particulares de regulação do que como barreiras aos fluxos internacionais especulativos.
Finalmente, na justeza de suas receitas em torno de ajustes estruturais junto aos Estados mal gerenciados, o FMI passa a concordar que é necessário sim o retorno mundial a um sistema de regulação que impeça o capital especulativo de abusar do liberalismo econômico, levando o mundo a crises como as da atualidade.
Nesse contexto, o Fundo reconhece a importância de sistemas de controle do fluxo de capitais, dando razão aos países que aumentaram as medidas prudenciais em relação a estes capitais, caso do Brasil desde meados dos anos de 1990.
Embora tal postura agrade aos países emergentes, tais países, no contexto do G20, parecem ainda não estarem prontos a se inclinarem, sem contrapartida, às novas regras do jogo multilateral avalisadas pelo FMI. Até quando?