No domingo, dia 15 de janeiro, o jornal Folha de São Paulo publicou, em seu caderno Dinheiro, uma extensa reportagem sobre a importância do diploma universitário e de pós-graduação para o aumento da renda de um trabalhador. Segundo a matéria, o IBGE apontou, num estudo iniciado em 2004, um abismo de 173,3% entre os salários de quem apenas completou o ensino médio e os de quem fez um curso superior. Como consequência, um diploma de pós-graduação, mestrado ou doutorado completo garante ganhos até 96,3% maiores em relação àqueles que pararam na graduação.
Obviamente, um diploma não é garantia de salário alto. Além de esses números apontarem somente uma média observada, os níveis de desemprego do país não respeitam ninguém. Do nível fundamental ao MBA, todos estão suscetíveis a passar uma temporada forçada em casa. Talvez isso explique o real motivo da conclusão de um curso superior: ao invés de aumentos no salário, os formandos buscam uma maior empregabilidade.
Somente no ano de 2004, o Censo Escolar, do Ministério da Educação, indicou que cerca de 627 mil novos profissionais eram lançados ao voraz mercado de trabalho com um diploma de curso superior. Mesmo não sendo um número muito representativo diante do total da população brasileira, a quantidade impressiona devido a multiplicação de universidades particulares pelo país. Algumas sem muita preocupação com a qualidade do ensino, mas aí já é outro assunto...
Qualquer um que entenda um pouco de economia sabe da importância em se ter parte do dinheiro aplicado num investimento seguro. Mas tão ou mais importante que o investimento econômico é o investimento pessoal/profissional. Para não cair nesse bolo e ser simplesmente mais um na multidão, há a necessidade de se incluir no planejamento financeiro uma verba familiar para a realização de cursos e palestras, a fim de se qualificar, melhorar o currículo e ter essa tão procurada empregabilidade. A época do "faço qualquer coisa" já se foi. É preciso focar em um segmento e se especializar nele, para evitar constantes mudanças de emprego e de área de atuação. Esse investimento é válido para todas as idades, gêneros e raças. Uma idade mais avançada não impede o aumento de experiência e de conhecimento, muito menos a atuação no mercado de trabalho.
Em outro estudo, apresentado em setembro do ano passado, a Fundação Getúlio Vargas detectou um gasto médio de 5,7% com educação na renda da família brasileira. Dentro dessa média, dois extremos foram identificados: em famílias com renda de até R$ 400,00, os gastos com educação não passam de 1%. Já em famílias com renda superior à R$ 6.000,00, o investimento na educação chega aos 7%. No primeiro caso, os gastos se reduzem ao material didático, já que a falta de condições para estudo em escolas particulares obriga o aluno a frequentar escolas públicas. Já a segunda situação inclui mensalidades, desde o ensino básico até o superior.
Famílias de baixa renda, que no planejamento financeiro verificaram que não têm condições de encaminhar os filhos para o ensino superior privado, devem ficar atentas às notícias dos cadernos de educação. O Governo Federal e Estadual (no caso de São Paulo, pelo menos) têm proporcionado ensino superior gratuito (ou com bolsas de estudo de 50 %) às pessoas que comprovarem baixa renda, incompatível com as altas mensalidades (PROUNI, do Governo Federal), ou que trabalham como voluntárias em projetos governamentais (Escola da Família, do Governo Estadual paulista).
O importante é não ficar parado e pensar que um investimento feito agora, na realização de um curso, pode garantir uma boa saúde financeira no dia de amanhã. Boa Sorte!