Preços baixos para venda de reprodutores e animais de abate, elevação dos insumos, dólar desvalorizado frente ao real, febre aftosa e certa insegurança devido ao cenário nacional e internacional. Todos esses fatores ajudam a explicar a longa crise porque passa a pecuária brasileira.
Cenário negativo, não resta dúvida. Mas o atual momento também pode marcar a recuperação da atividade ou, para ser mais preciso, representa uma oportunidade de recuperação. Afinal, como há disponíveis no mercado reprodutores e matrizes de qualidade, a custo baixo, é consideravelmente maior a possibilidade de os pecuaristas adquirirem animais que posam incrementar o padrão do seu rebanho com ganhos genéticos e de produtividade. Ou seja: esta é a hora de investir em genética de qualidade para ter rentabilidade.
Previsões de especialistas acenam que haverá recuperação dos vários segmentos da pecuária, a começar pelo gado de abate, principalmente a partir do segundo semestre de 2006. Até junho, explicam os técnicos, há grande oferta de animais para o frigorífico e o preço deve continuar baixo. Está aí mais um alerta ao pecuarista: este é o momento de se preparar para a recuperação que certamente virá! Não tenho dúvidas de que quem tiver animais de superioridade genética comprovada – porque falar é fácil, difícil é fazer –, poderá usufruir dessa melhora do cenário da cadeia produtiva da carne vermelha.
Por outro lado, esse período de crise é também uma oportunidade de os pecuaristas reverem sua estrutura administrativa, profissionalizando a gestão da fazenda, cortando gastos desnecessários, investindo em melhorias nas pastagens.
Muito já se falou sobre as causas da crise da pecuária, já que as exportações de carne bovina batem recordes seguidos. Acredito que um dos fatores está relacionado à união do setor. Falta associativismo à classe produtora. Se os pecuaristas se unissem para vender animais de qualidade aos frigoríficos, ganhariam em escala. Ou mesmo se se juntassem para obter a certificação do EurepGap – certificação de qualidade exigida pelos varejistas europeus. Os custos poderiam ser rateados e os ganhos seriam maiores para todos.