Calmo, como sempre, acomoda-se na varanda de sua modesta casa. Olha para o horizonte e refaz o percurso da história. De cara lhe vem à mente a atitude do Presidente da República. Bons tempos aqueles em que o líder da Nação era mais rápido. Numa emergência dessas, assim pensa o caipira, Lula poderia demonstrar, com gestos claros, sua solidariedade com as pessoas. Mais ainda, deveria tomar providências imediatas, mostrar que manda, botar ordem nessa bagunça. Tudo demorou, porém, para acontecer.
O Presidente ficou entocado, qual tatu com medo de cachorro. Três dias depois, quando falou, fez um pronunciamento oficial, calculado, no formato quadrado da TV. Distante.
Até que, finalmente, o Presidente pegou no breu. Convenceu o ex-Ministro da Justiça a assumir a briga. Taí um gaúcho marruco, tem certeza o caipira, porque afinal de contas ninguém, antes dele, queria descascar o abacaxi aéreo do país. O baiano que lá estava fingia que o assunto não era dele. Um vexame. Vai ver, agora, imaginou confiante, vem aí um freio de arrumação nisso tudo.
Antes disso, na confusão dos aeroportos, Seu José havia achado certa graça no conselho da Ministra do Turismo. Embora não dependa de avião para nada, volta e meia ele também "relaxa e goza" ao enfrentar as desventuras da lide rural. Assim ocorreu com a ventania que lhe destruiu o paiol. Aprendera no berço que não se encrenca com os desígnios de Deus. E que, depois da tempestade, sempre vem a bonança.

