Na discussão sobre qualquer Sistema Agroindustrial-SAI deve-se visualizar a evolução geral da economia, onde todos os setores agroindustriais e de serviços estão intimamente relacionados à produção.
Dessa forma, a análise do que acontece na agricultura não deve ser fundamentada em apenas uma das variáveis componentes do setor, mas partir de um entendimento profundo das relações existentes entre todos os elos que ligam o setor agrícola ao industrial e ao setor de serviços.
Uma visão sistêmica do conceito de SAI, inclui todos os fluxos de bens e serviços, resultado de uma rede de interdependências entre os diversos atores (empresas, instituições financeiras, organizações públicas, consumidor) que resultam na satisfação dos consumidores, em um espaço geográfico determinado.
Existe no Amapá grande potencial para a implantação de SAIs. Grandes empresas do ramo agrícola, principalmente no campo da avicultura, suinocultura e fruticultura, atividades que normalmente não necessitam de grandes áreas e empregam um número considerável de força de trabalho, seriam atraídas, caso fossem implantadas plantações do milho, soja, arroz, cana-de-açúcar, algodão.
As pessoas que não pertencem a área agrícola desconhecem, mas um fato importante a ser apresentado é que as culturas nunca são instaladas isoladamente, sempre há duas ou mais culturas em conjunto, que podem ser o milho, a soja, o algodão, o arroz, a cana-de-açúcar, ou outra de interesse, deste modo, os complexos envolvendo a soja tem tido destaque nos SAIs, devido a sua rusticidade, desenvolvendo-se em condições desfavoráveis comparativamente às demais culturas, e oferecendo, após a colheita, matéria orgânica de alta qualidade, viabilizando técnica e economicamente as culturas posteriores.
A produção de óleo vegetal de soja representa um dos mais importantes setores do sistema agroindustrial, sendo que o complexo dessa oleaginosa interage com um total de 28 diferentes produtos, entre óleos, gorduras e grãos, caracterizando-se pelo entrelaçamento de diferentes cadeias agroindustriais, como a de rações e de carnes. Produtos processados de soja podem também ser destinados a outras indústrias, ou seja, lecitina, óleo e gorduras para a indústria de alimentos, além de indústrias químicas e farmacêuticas; óleo para fins energéticos (o chamado "biodiesel"), e assim por diante. Podendo-se implantar este conceito para qualquer cultura agrícola, desde que haja interesse local.
Existem, entretanto, algumas diferenças de organização dos SAIs quando se consideram aspectos regionais, envolvendo principalmente o tamanho das propriedades, podendo-se distinguir duas importantes regiões de produção agrícola: a região sul (Rio Grande do Sul e Paraná), caracterizado por unidades de produção agrícola pequenas, forte presença de cooperativas e grande número de usinas de processamento, havendo também forte conexão com a indústria de carnes, com significativa participação na produção nacional de grãos, devendo ser o modelo a ser adotado para melhor conservação ambiental e para pequenos produtores; e a região dos cerrados (estados do Centro-Oeste), de desenvolvimento mais recente, envolvendo unidades agrícolas grandes e menor número de usinas processadoras.
A prioridade para os programas de incentivo à expansão de grãos na Amazônia recai sobre áreas já alteradas, antes ocupadas por pastagens. Isto se dá em decorrência dos custos de desmatamento de novas áreas de floresta densa. Por outro lado, as áreas desmatadas requerem menos correção com calcário, mas não apresentam a mesma fertilidade inicial, levando os pequenos agricultores ao desbravamento de novas áreas de florestas virgens, valorizando-as para um cultivo posterior de grãos, que talvez possa ser instrumento para evitar a migração dos assentados para realizar novos desmatamentos. Devendo-se citar que a criação de assentamentos na Região Amazônica e, em particular, nas áreas de floresta, é incorreto, com altos índices de desistência dos colonos.
Os inúmeros riscos ambientais impostos pela expansão de qualquer cultivo de grãos na Região Amazônica devem ser acompanhados de medidas que intensifiquem as atividades dos órgãos de fiscalização e monitoramento, além de outras que regulem as atividades agrícolas. Isto indica que grande parte da responsabilidade da perfeita condução, com os melhores resultados dos plantios de larga escala na região é dos órgãos governamentais e dos institutos de pesquisa, que devem ter competência de avaliar e contornar os riscos existentes, para que os resultados sejam os melhores possíveis, não culpando-se determinada cultura agrícola por estes danos, afinal o problema não está nas plantas, e sim nas pessoas inaptas para realizar a condução das mesmas.