Alguém pode estar se perguntando o que seria um altruísta. O altruísta é justamente o que o mundo corporativo de negócios busca atualmente: uma combinação de alguém que tem o poder de aprender e perfilar as necessidades pessoais de cada um, sabendo exatamente qual a dose correta para balancear nossas atitudes, qual seja, dar de si ou dar para si. O bom senso na vida profissional e o equilíbrio emocional é que irão pautar nossas atitudes no que diz respeito ao ato de dar e ao de receber, pois em certas ocasiões embaraçamos nossas aspirações verdadeiras entre o desejo de dar com a nossa capacidade real de poder oferecer.
Conhecer a riqueza de nosso potencial, seja ele técnico ou comportamental – e o melhor aqui é o equilíbrio –, dar valor a nós mesmos, não querer dizer que nos orgulhamos de nossas atitudes, isto é, refletir que temos mais valor que os outros, mas, sim, reconhecer que temos algo para dar.
O mercado tem vivenciado nos últimos tempos uma severa falta de profissionais qualificados para que possam atuar em determinados setores da economia. Mesmo assim, tem-se percebido uma exigência bastante contundente por parte das companhias, não só no que se refere a questões de ordem técnica, mas, principalmente, de ordem comportamental.
A postura que se busca no mercado contemporâneo dos negócios é, principalmente, a conduta do profissional, a tal ponto de se exigir que o mesmo tenha flexibilidade na forma de se interagir, na sua maneira de se vestir, de se apresentar, etc... A integridade, inteligência, competência para trabalhar sob pressão (e aí entra a questão da administração de eventuais conflitos), a capacidade e facilidade de se trabalhar em equipe são credenciais, portanto, fatores e características cruciais, independentemente do cargo que se pretenda ocupar, tanto para a ascensão profissional, quanto para a efetivação de novas oportunidades. Esses fatores mostram-se, cada vez mais, como o grande vilão para o descredenciamento do profissional para aquilo que ele fora submetido.
Importante que as pessoas tenham em mente que, embora o “talento nato” tenha grande impacto na busca de algum emprego ou novas oportunidades, é necessário “aprender a buscar o talento”. Isso requer sacrifício, e só acontece quando vamos à busca de novos desafios. Desafios que estão muito mais ligados ao ambiente comportamental que ao técnico. Temos de estar preparados para eventuais surpresas e novas oportunidades, ou seja, estar prontos para alçar novos desafios em busca de novos horizontes e novas práticas. Do contrário, seremos castigados pela nossa própria incompetência, que é a de não avaliar nossas próprias atitudes num ambiente em que, cada vez mais, tornam-se imprescindíveis estas exigências.
Estatisticamente, e as consultorias de Recursos Humanos têm dito isso, há certa perversidade na contratação de profissionais, e isto já vem mudando drasticamente, pois o mercado de trabalho o tem exigido. Explico. Há empresas extremamente preocupadas em contratar nobres profissionais, tipo daqueles que estudaram em universidades públicas ou ainda que fizeram MBA no exterior, e por aí vai. Na contramão disso, há outras empresas, em menor número, que prosperam e buscam contratar talentos, ou seja, pessoas com maturidade pessoal e com perfil direcionado muito mais ao seu comportamento do que a sua qualificação técnica.