A maioria de nossas pequenas e médias indústrias em atividade nasceu na segunda metade deste século. Seus fundadores, geralmente foram pessoas que durante anos exerceram funções no setor produtivo de outras fábricas como empregados e ao longo do tempo foram acumulando experiências, criando novas maneiras de produzir e mudando processos. Tudo acontecia de maneira empírica e cada funcionário aprendia observando o mais experiente, não obedecendo a nenhuma metodologia de treinamento. O aprendizado era então lento e pouco eficaz.
O único requisito do candidato para comandar uma fábrica, era o conhecimento da manufatura. Como detinham muita "prática", julgavam-se capacitados, com plenas condições de criar sua própria empresa, o que em alguns casos, era sem dúvida uma verdade incontestável. A produção indo bem, o negócio ia bem. As outras áreas da empresa...bem, essas eram um fato secundário. Assim se pensava !
Para iniciar uma fábrica não era necessário conhecimento na área de recursos humanos, marketing, vendas, custos, contabilidade, comércio exterior, etc.......Aos futuros "donos de fábrica", ter a virtude do trabalho exaustivo e usar a sabedoria que a própria vida lhes ensinava, era o suficiente e quantos grandes empresários surgiram dessa forma, merecendo serem reverenciados pela luta, idealismo, arrojo e perseverança. Mais ainda aqueles que criaram seus negócios longe das grandes cidades, onde não tinham acesso às oportunidades de lá. Eram portanto, os "donos de fábrica".
Hoje, o cenário é outro, o aprimoramento tecnológico é uma constante e os donos de negócios não estão sujeitos apenas aos exames minuciosos dos consumidores dos mercados regionais. A ordem agora é voar mais longe, distribuir os produtos em localidades mais distantes, não só na própria região, mas nas demais do estado, do país e até rompendo fronteiras. Para isso o empresário de hoje precisa ter conhecimentos generalizados de outros setores além daqueles da manufatura. Se não conseguir dominar as competências necessárias ao sucesso do seu negócios nestes novos tempos, deverá procurar ajuda de profissionais com domínio total de áreas como planejamento, que é atualmente uma das mais importantes áreas da organização, pois significa "pensar antes" o que vai ser feito e com quais recursos necessários para atingir os objetivos já pré-estabelecidos. Sem planejamento, a empresa torna-se um navio sem leme. Infelizmente, tem muito navio sem leme no mercado e alguns irão a pique !
Diante disso, os ex-donos de fábrica se esforçam para serem empresários no seu mais amplo sentido e para isso será necessário, além de tudo o que já fizeram e fazem pela empresa, o que não é pouco, também tomar contato com novos estilos de gerenciamento, que trazem boas mudanças para dentro da organização.
Um exemplo é o trabalho de recursos humanos que hoje trabalha com o objetivo de visão holística enxergando a empresa como um todo, considerando o funcionário como um colaborador que pensa e participa das decisões, opinando e deliberando e não como um operário apenas cumpridor de ordens, mas vivenciando programas, entre outros, os motivacionais, que se prestam a elevar a auto-estima, melhorando sua qualidade de vida, valorizando-o.
No caso das atividades que sempre se ocuparam de mensurar fatos já ocorridos que são realizados pela área de finanças, o fazem ainda, na grande maioria dessas empresas, mas apenas a mensuração operacional e não a estratégica, ou seja apenas atenta para o que já passou a fim de lamentar ou festejar os resultados, ao invés de utilizar os dados para corrigir os rumos de curto prazo confrontando o fato pensado com o fato consumado.
O mesmo vale para o marketing, que lida com a criação de novos mercados, área anteriormente olhada com desprezo. Existe ainda a logística que planeja entregas racionais, a preços mais atraentes, em menor prazo e arranjos mais adequados aos clientes.
No prelo das indústrias de livros, existem dezenas de títulos sendo lançados atualmente, para atender aos profissionais que ajudam tais empresas a colocarem-se em posição no mercado e permanecerem alertas aos acontecimentos que poderão, a um minúsculo tempo, deixá-las de fora da competição.
A conjuntura atual pressiona os bravos e pioneiros ex-donos de fábrica, a mudar seu perfil, de observadores passivos das situações, com tempo para refletir e decidir, em arrojados e ativos personagens, atuando simultaneamente em diversas facetas do negócio, acompanhando passo a passo os resultados e pessoas, tudo isso, como exigência do próprio mercado e das mudanças do cenário competitivo. Deverão estar aprendendo além dos conceitos e competências diretamente relacionados com as atividades fim do negócio, também temas como a macro economia para olharem o mundo de cima e outros mais recentes como a oratória e inteligências múltiplas. Seu foco em marketing deverá ser mais dirigido, prático, focado, sem dispersão porque os recursos são escassos, em função de margens de lucros cada vez mais estreitas e concorrência mais acirrada.
Deverão ainda valorizar técnicas como controle estatístico de processo (CEP), controle da ocorrência de falhas (controle das não conformidades), enfim, entender que a partir de agora, a ordem será aprender, porque eles próprios terão que planejar suas rotinas, reservando tempo para assistirem palestras, seminários e até voltar aos bancos escolares, o que ainda é considerando desnecessário e um tédio por muitos empresários.