Nasci em São Manuel, Estado de São Paulo, cidade que teve a sua economia totalmente firmada na cultura do café, fundada em 1870 o município possuía em 1928 a quantidade de 28 milhões de pés de café e era uma importante zona produtora de café do país. (*) Fonte : “As nossas Riquezas” - João Netto Caldeira - 1928
Decorrido, hoje, pouco mais de 80 anos a cidade possui em torno de 40,000 habitantes, está totalmente cercada pelos canaviais; poucas são as fazendas que ainda cultivam o café e a sua Cooperativa de Café quebrou há alguns anos.
Em outras palavras, tudo muda com o tempo e neste mundo globalizado, sabemos que com a velocidade da luz. Está aí a crise financeira mundial, que mudou todos os paradigamas estabelecidos em pouquíssimo tempo.
Rowan Gibson, em “Repensando o Futuro” nos diz : “Nada poderá nos conduzir ao futuro se utilizarmos o piloto automático” e como exemplo podemos ver que Grupos Empresariais importantes, tanto aqui no Brasil como no exterior, que outrora foram poderosos, hoje já não existem mais, ou passam por crises profundas, provavelmente porque se utilizaram do piloto automático.
É importante termos a consciência de que a vida tanto pessoal como empresarial segue conforme uma curva senoidal; ela se inicia como se fosse um vale e na sequência vai crescendo se elevando, até atingir o topo e depois inicia o seu declínio, para depois reiniciar um novo crescimento. Tudo tem o seu apogeu e o seu declínio, tudo nasce, cresce e morrre. Isso se dá com Impérios, Corporações, Ciclos de vida de produtos, Relações e até com a nossa própria vida.
A única forma de continuarmos a crescer de maneira contínua, olhando para o futuro, em qualquer que seja a atividade é sermos extremamente criativos e buscarmos nas inovações, nas mudanças de paradigmas, criarmos uma nova curva que se sobreponha a velha, criando assim um novo ciclo de crescimento, antes que o anterior entre em declínio.
O que estamos vendo, hoje, no mercado de fertilizantes é uma tentativa oportunista dos fabricantes tradicionais, face a crise financeira, de apresentarem descontos de última hora, com o intuito de trazer de volta o cliente já assustado com falta de recursos e de financiamentos para produzir. Ou seja, ao invés de serem criativos e mudarem o paradigma, eles nos apresentam um enfeite, um pequeno “regalo”, para uma maneira de fazer negócios, totalmente ultrapassada e em declínio, ou seja, desprezam a inteligência do produtor e ligam o piloto automático. Já sabemos onde tudo isso vai dar, é só olhar a lista das 500 maiores empresas da revista Fortune, de alguns anos atrás e verificar que mais de uma centena delas já não existem mais...
Assim, não compreenderam ainda que o mundo mudou, que as relações já não são as mesmas e que o produtor e suas representações - Cooperativas - não querem mais ser subservientes, não querem mais ser controlados, e conviver com esse “modus operanti” que somente direciona ao baixo lucro e a escravidão do produtor, em benefício de poucos.
Esses descontos têm claro um objetivo em benefício próprio, de quem controla o mercado há muito tempo e menospreza aquele que lhe proporciona o lucro fácil, entre outros, o de manipular o mercado, mais uma vez impedindo novos players, com um posicionamento justo para o produtor e obviamente baixar os estoques e se capitalizarem em busca do capital exíguo, tão necessário neste momento em suas matrizes.
Assim, chegou o momento de sermos criativos, de mudarmos os paradigmas e buscarmos soluções inteligentes e ousadas para repensar o futuro; precisamos que os produtores e suas cooperativas criem uma mentalidade própria, que não à merce dos controladores de mercado e aproveitadores de plantão. Precisamos de Cooperativas e Produtores que não liguem o piloto automático, que não acreditem em pequenos regalos, que realmente analisem as novas propostas, mudem os paradigmas e vejam que o caminho do futuro está naqueles que ousam e não naqueles que acham que o futuro é o retrato do passado.
O futuro pertence às novas idéias, pertence a quem procura criá-lo e não a quem se submete a ele; mudem os paradigmas !
José Luiz Ricchetti