Como produtor rural que fez parte da história recente da organização dos produtores rurais do meu estado, tenho orgulho do nosso país e daquilo que conquistamos no campo. Sem dúvida temos uma agricultura tropical que é um modelo para o mundo, modelo de sustentabilidade e daquilo que é mais moderno dentro da porteira. É verdade também que existem muitos problemas que minam essa sustentabilidade “fora da porteira”, seja nossa infraestrutura lastimável seja a logística vergonhosa. Mas é preciso ter lucidez e admitir que não podemos depender do Governo para resolver todos os nossos problemas.
Na maioria das vezes o Governo Federal se comporta como um “Elefante em loja de cristal”, com reações lentas e medidas desproporcionais que causam mais estragos que benefícios e muitas vezes nem os melhores analistas conseguem entender. Isso sem falar nas várias medidas tomadas na calada da noite contra o setor produtivo que nos surpreendem e que são de fazer inveja a Maquiavel, muitas das quais já retratei em meus artigos anteriores. Porém, do outro lado temos o setor privado com uma visão mais apurada dos gargalos existentes e que pode realizar intervenções cirúrgicas, normalmente envolvendo investimentos no próprio negócio.
É bem verdade que temos um mercado agrícola quase totalmente controlado por quatro tradings multinacionais e que elas mesmas são responsáveis por mais da metade de toda a capacidade de armazenagem do país. Mas precisamos enxergar além e ver onde estamos errando e principalmente o que podermos melhorar para que os produtores ganhem mais em suas relações comerciais. Quando reclamamos dos romaneios de classificação, as empresas são categóricas ao afirmarem que se não queremos ter descontos sobre umidade e impurezas é só entregarmos grãos limpos e secos.
E é claro que sabemos que apesar de aplicarem descontos pesados sobre a carga dos produtores, por exemplo, nos grãos avariados, as tradings não devolvem esses grãos nem jogam fora, ou seja, não se trata de uma perda direta do volume entregue. Independente disso, precisamos é reduzir perdas por desconto na qualidade do grão e para isso é essencial ter uma estrutura de armazenagem na fazenda.
E é nesse ponto que quero chegar. Sempre que o Governo Federal lança uma nova linha de crédito a juros baratos e longos prazo para pagar, produtores e gerentes de banco se unem em quase que um frenesi para promoverem uma profunda renovação dos parques de máquinas. Nada contra, é preciso se modernizar, manter a competitividade. O problema é que mesmo com uma linha de crédito igualzinha para construir uma estrutura de armazenagem, nem o produtor e nem o seu gerente do banco tem o mesmo interesse para aplicar esse recurso. Mas Por que?
A resposta parece absurda, mas parece que o gerente do banco não vê vantagem no empreendimento e dificulta a liberação do recurso. Por exemplo, o financiamento de uma máquina agrícola de R$ 925 mil reais sai em uma semana, mas uma estrutura básica de moega, silo pulmão e silo graneleiro para receber 50 mil sacos que custa a mesma coisa fica meses em análise até o produtor desistir ou iniciar a obra com recursos próprios, o que é um absurdo. E é esse investimento que evitaria que parte dos lucros do produtor fosse para as tradings.
O efeito dessa inércia gerencial é que a capacidade de armazenagem na fazenda não aumentou quase nada na última década, saiu de 4% em 2000 para 13,6% em 2011. E se olharmos o que está acontecendo hoje no Centro-Oeste, onde as chuvas castigam as lavouras de soja prontas para colher, aumentando a umidade e os grãos avariados, os prejuízos nos descontos de classificação, as estradas em péssimas condições, os fretes tão altos como nunca antes visto na história deste país, fica claro que essa inércia custa caro, muito caro para os produtores.
Enquanto isso, nossos competidores dão risadas da nossa condição e se perguntam por que não temos armazéns na propriedade...
Na maioria das vezes o Governo Federal se comporta como um “Elefante em loja de cristal”, com reações lentas e medidas desproporcionais que causam mais estragos que benefícios e muitas vezes nem os melhores analistas conseguem entender. Isso sem falar nas várias medidas tomadas na calada da noite contra o setor produtivo que nos surpreendem e que são de fazer inveja a Maquiavel, muitas das quais já retratei em meus artigos anteriores. Porém, do outro lado temos o setor privado com uma visão mais apurada dos gargalos existentes e que pode realizar intervenções cirúrgicas, normalmente envolvendo investimentos no próprio negócio.
É bem verdade que temos um mercado agrícola quase totalmente controlado por quatro tradings multinacionais e que elas mesmas são responsáveis por mais da metade de toda a capacidade de armazenagem do país. Mas precisamos enxergar além e ver onde estamos errando e principalmente o que podermos melhorar para que os produtores ganhem mais em suas relações comerciais. Quando reclamamos dos romaneios de classificação, as empresas são categóricas ao afirmarem que se não queremos ter descontos sobre umidade e impurezas é só entregarmos grãos limpos e secos.
E é claro que sabemos que apesar de aplicarem descontos pesados sobre a carga dos produtores, por exemplo, nos grãos avariados, as tradings não devolvem esses grãos nem jogam fora, ou seja, não se trata de uma perda direta do volume entregue. Independente disso, precisamos é reduzir perdas por desconto na qualidade do grão e para isso é essencial ter uma estrutura de armazenagem na fazenda.
E é nesse ponto que quero chegar. Sempre que o Governo Federal lança uma nova linha de crédito a juros baratos e longos prazo para pagar, produtores e gerentes de banco se unem em quase que um frenesi para promoverem uma profunda renovação dos parques de máquinas. Nada contra, é preciso se modernizar, manter a competitividade. O problema é que mesmo com uma linha de crédito igualzinha para construir uma estrutura de armazenagem, nem o produtor e nem o seu gerente do banco tem o mesmo interesse para aplicar esse recurso. Mas Por que?
A resposta parece absurda, mas parece que o gerente do banco não vê vantagem no empreendimento e dificulta a liberação do recurso. Por exemplo, o financiamento de uma máquina agrícola de R$ 925 mil reais sai em uma semana, mas uma estrutura básica de moega, silo pulmão e silo graneleiro para receber 50 mil sacos que custa a mesma coisa fica meses em análise até o produtor desistir ou iniciar a obra com recursos próprios, o que é um absurdo. E é esse investimento que evitaria que parte dos lucros do produtor fosse para as tradings.
O efeito dessa inércia gerencial é que a capacidade de armazenagem na fazenda não aumentou quase nada na última década, saiu de 4% em 2000 para 13,6% em 2011. E se olharmos o que está acontecendo hoje no Centro-Oeste, onde as chuvas castigam as lavouras de soja prontas para colher, aumentando a umidade e os grãos avariados, os prejuízos nos descontos de classificação, as estradas em péssimas condições, os fretes tão altos como nunca antes visto na história deste país, fica claro que essa inércia custa caro, muito caro para os produtores.
Enquanto isso, nossos competidores dão risadas da nossa condição e se perguntam por que não temos armazéns na propriedade...