Hoje, os impostos e as cotizações sociais pagas pelo cidadão francês ao Estado representam 44,4% do PIB nacional. O que seria socialmente mais justo? Ou ainda, vale a pena sacrificar medidas de retomada do crescimento da economia, mesmo que ocorra um aumento no endividamento imediato para, posteriormente, ocorrer uma queda desta dívida? Na prática, dos 27 países membros da União Européia, a França é o quarto país mais endividado assim como é o quarto país na relação cobrança de impostos e cotizações em relação ao PIB. A vitória do candidato Sarkozy, por uma margem até confortável, demonstra que a população francesa escolheu o caminho, caso ele realmente venha a ser praticado, do ajuste estrutural do Estado, mesmo que para isso tenha que haver uma ruptura com o atual modelo social francês e o Estado assistencialista. Nesta lógica, a revisão da prática de 35 horas semanais de trabalho deverá ocorrer. Isto porque mesmo os socialistas não estão convencidos de sua eficácia na geração de empregos novos. A proposta do candidato vencedor foi a de “trabalhar mais para ganhar mais”. Em termos econômicos, tais propostas são progressistas, estando longe do conservadorismo histórico de proteger a sociedade sob a custódia do Estado, mesmo que para isto o mesmo caminhe para a falência (o caso da ex-URSS é exemplar neste sentido). Principalmente quando o Estado não retribui com serviços adequados, além de ser inundado por escândalos e falcatruas, com o dinheiro público, nos altos escalões oficiais, caso do Brasil e de outras nações subdesenvolvidas. Na prática, muitas empresas, mundo afora, quebraram ou enfrentam enormes dificuldades por não terem reagido a tempo, via ajustes necessários, diante desta nova governança mundial. Agora é a vez dos Estados!