Ano novo, vida nova. Mais ainda, combustível novo. Sim. Passa a ser obrigatória, a partir de hoje, a mistura de 2% de biodiesel ao óleo combustível comercializado no país. Boa novidade.
Segundo a Lei, aprovada em 2005, o chamado B2 prevalece até 2013, quando entra em cena o B5, quer dizer, a adição obrigatória sobe para 5% de biodiesel no óleo comercializado. Quem, entretanto, quiser antecipar a mistura, pode solicitar a devida autorização. Na agricultura, especialmente no distante Centro-Oeste, para fugir do elevado preço do diesel, tratores já funcionam, meio no tapa, até com B100. Vegetal puro no tanque da máquina.
O biodiesel é obtido a partir de óleos vegetais, embora possa também advir de gorduras animais, como sebo. Combustível biodegradável, derivado de fontes renováveis, o novo combustível se opõe ao diesel do petróleo, de origem fóssil, não renovável. A diferença é enorme. A cada ciclo de produção, o crescimento vegetal retira da atmosfera o gás carbônico liberado na combustão. Na linguagem ambiental, isso significa que o biodiesel é “carbono neutro”; sua obtenção e queima não contribuem para o aumento das emissões de CO2 no Planeta.
Transesterificação é o novo palavrão na praça. Assim se chama o processo utilizado para transformar o óleo renovável em biodiesel. Consiste numa reação química de óleos vegetais (ou de gorduras animais) com o álcool comum (etanol) ou o metanol, estimulada por um catalisador. Desse processo resulta a glicerina, empregada para fabricação de sabonetes e diversos outros cosméticos.
Há dezenas de espécies vegetais oleaginosas, propícias à produção do biodiesel. Destacam-se soja, girassol dendê (palma), pinhão manso e mamona. Cada qual apresenta vantagens e desvantagens. A soja, por exemplo, vence na escala de produção e na tradição de cultivo. Mas perde no teor de óleo da sua semente, entre 18% a 20%. Bastante protéica, a soja esmagada gera grande quantidade de farelo, ótimo para ração animal, um estorvo, porém, para uma fábrica de biodiesel.

