Começa mais um abril “vermelho”. Foices e facões se erguem na grita do MST e seus congêneres. Gente sofrida, rostos irados, os intrépidos invasores de terras afrontam a lei e rompem a ordem. Progressistas ou retrógrados?
As imagens do presente lembram o filme do passado. Na Revolução Francesa, em 1789, os sofridos camponeses enfrentaram, simultaneamente, os senhores feudais e o clero. Afinal a Igreja, grande detentora das terras da Europa Ocidental, abençoava a corvéia e, em troca do dízimo, dava proteção espiritual ao feudalismo. Em Paris, a revolta dos “sans culottes” derruba a Bastilha, inaugurando a Idade Contemporânea. Fim da servidão. Triunfam as idéias iluministas. Novos filósofos acuam a superstição medieval, atacando os ditames absolutos da religião. O povo, e a nascente burguesia, procuram seu espaço na História. A ciência ainda engatinha, lançando luzes na escuridão. Chega o Renascimento.
Hoje, tudo parece claro. Mas foi longa a travessia da razão. Desde quando o físico Galileu Galilei, em 1633, acabou denunciado, por heresia, à Santa Inquisição, o obscurantismo paulatinamente recuou. Apenas no século 19, todavia, restava vencido. Mesmo assim, seu negro espectro, alimentado pela ignorância, ronda escondido por aí.
Pense na reforma agrária. Desde a Grécia antiga se relatam as lutas no campo. Esparta, oligárquica, ao derrotar Atenas, progressista, cria obstáculos à democracia rural. Mais tarde, no Império Romano, Caio Graco impulsiona, não sem oposição, o direito agrário, garantindo o acesso à terra à plebe.
No mundo moderno, em 1910, Emiliano Zapata e Pancho Villa levantam as massas camponesas do México. Os revolucionários do Exército de Libertação zapatista tomam terras no fuzil. O país vive enorme confusão social. A regularização fundiária vem somente em 1934, com o Presidente Cárdenas, que cria os “ejidos”, forma comunitária de trabalho rural, baseada na cultura indígena.

