Será que é possível viver no Brasil sem fazer empréstimos, comprar no crediário, pagar altas taxas de juros no cheque especial, emitir cheques pré-datados, efetuar o pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito ou solicitar empréstimos para continuar sobrevivendo? Tudo que fizermos hoje de forma inconsciente, ao deixarmos ser levados pela falta do controle da ansiedade quando o assunto for finanças, terá um desastroso reflexo amanhã.
Desde maio de
É mais difícil para as pessoas viver sem um tostão no bolso, por terem parte dos seus benefícios comprometida para o pagamento de dívidas com altíssimas taxas de juro a longo prazo. A partir de maio de 2005, por não estar contente com a prática do social, o INSS criou mais um produto: o "Cartão de Crédito" para os aposentados, para facilitar também as operações dos empréstimos. Isso é incrível! O Governo Federal sempre procura dar com uma mão e tirar com a outra, aproveitando da ingenuidade e da falta de conhecimento da população, para explorar os mais humildes.
Ouvimos diariamente falarem em práticas do social, mas esquecem que as taxas de juros são vergonhosas e variam de acordo com as opções de contratação. Para financiamentos em até seis parcelas as taxas de juros cobrados giram em média em 1,75% ao mês, e as de prazos maiores, que podem chegar aos 60 meses, ultrapassam os 4% de juros ao mês. O aposentado também tem que desembolsar a TAC — Taxa de Autorização Cadastral, que tem uma variação entre 3,5% a 5% do valor financiado e o IOF — Imposto sobre Operações Financeiras.
Os trabalhadores formais — funcionários públicos, pensionistas e aposentados — foram pioneiros na adesão aos empréstimos, que na época eram efetuados por instituições financeiras que descontavam diretamente da conta corrente com altas taxas de juros ao receber os benefícios. A modalidade utilizada hoje está assustando milhares de aposentados que acreditaram na pífia idéia lançada pelo INSS. Em meados de 2003, quando eu escrevia o livro Paz, Saúde e Crédito, lançado pela editora Mundial em 27/07/2004, conheci milhares de pessoas que possuíam contas em determinados bancos, não por sua livre vontade, mas por algumas exigências do INSS, que determinava o banco para o recebimento. Essas contas são chamadas de conta-benefício, e por qualquer motivo que o saldo fique devedor, os gerentes, sabedores que todo mês têm os créditos do benefício, ficam mais tranqüilos. Muitos deles até aumentam constantemente o limite do cheque especial para atender aos débitos, juros e taxas de serviços, elevando cada vez mais a concessão de limites, aumentando assim o endividamento das pessoas.
Como as preocupações dos nossos políticos sempre estão voltadas para a prática do “social” e contra a miséria, não estão preocupados com a política monetária praticada pelo sistema financeiro pelo qual somos enganados mês a mês. A péssima distribuição da renda per capita e as altas taxas de juros praticadas em todo o país colaboram com a quantidade de vítimas esperançosas que acabam caindo nas armadilhas criadas pelos próprios políticos que nada fazem para os mais humildes, ao contrário, só olham para o próprio bolso e não para o povo, que vem sofrendo a cada dia mais para garantir a sua sobrevivência dignamente.
Quantos aposentados ingressam na Justiça para reaver as perdas salariais? Muitos ganham e comemoram a vitória, e chegam a receber em parcelas o que é devido. Outros, morrem e não conseguem sequer comemorar o gosto da vitória, a não ser lá do céu.
Essa prática deve ser banida imediatamente do Sistema Financeiro Brasileiro, pois isso já está mais que comprovado: existem milhões de funcionários, pensionistas e aposentados que não recebem sequer um centavo do seu salário há meses, porque o dinheiro de suas contas fica no banco para pagar as parcelas de empréstimos nos quais são embutidas altas taxas de juros, tarifas e produtos. Aos aposentados o demonstrativo de recebimento chega com os descontos sem choro, e aos assalariados ocorre de forma um pouco diferente. O dinheiro chega a ser creditado na conta corrente, debitam as parcelas dos empréstimos, descontam a CPMF, as tarifas de excesso de limite, e, encontrando-se o saldo devedor, o aposentado fica, muitas vezes, sem sua subsistência. Assim, essas pessoas são obrigadas a recorrer aos modernos agiotas para garantir a sobrevivência pessoal ou familiar.
Essa é a típica realidade vivenciada por muitos brasileiros. O Estado tem o dever e a obrigação de orientar todos os cidadãos por meio da inclusão da disciplina “educação financeira” na grade curricular para não mais ocorrer as explorações que vêm desacelerando o crescimento sustentável e fazendo as pessoas empobrecerem na miséria alimentando os cofres dos modernos agiotas do país. O sistema político e monetário brasileiro deixa as pessoas sem alternativas, obrigando-as a buscar o crédito-fácil com juros altos desestimulando-as a terem a perspectiva de uma vida financeira melhor.
Para melhorar o desenvolvimento econômico é preciso combater de verdade as injustiças sociais, gerar novos empregos, fortalecer a igualdade tanto para assalariados quanto para capitalistas. Desta forma não estaremos presenciando discursos políticos com utilização de palavras filosóficas e falsas promessas. O Brasil precisa mudar para melhor, basta você querer e fazer a sua parte.
*O conteúdo deste, faz parte da palestra "Vida Financeira Saudável".