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A próxima revolução do Agro


Alexander Silva de Resende

Produzimos mais alimentos do que nunca, mas já notou que passamos cada vez menos tempo em volta da mesa? E isso não vem de hoje. A forma como o ser humano se relaciona com o alimento passou por muitas revoluções.

Há cerca de dez mil anos antes de Cristo, o homem iniciou a transição da coleta e da caça para o cultivo de plantas e a criação de animais. A partir daí, estruturou-se o que chamamos de agricultura. Séculos depois, veio a mecanização impulsionada pela Revolução Industrial. Depois chegou a Revolução Verde, responsável por um salto histórico de produtividade entre os anos 1960 e 1980. Melhoramento genético, fertilizantes, defensivos e mecanização permitiram que o campo produzisse em uma escala até então inimaginável.

E hoje vivemos a Revolução Digital no agro. É a era da informação integrada à produção. A inteligência artificial já chegou ao campo. Drones pulverizam lavouras. Os bioinsumos avançam rapidamente. Tudo acontece em uma velocidade difícil de acompanhar.

Mas talvez a próxima transformação não venha apenas do aumento de produtividade, e sim da forma como a sociedade se relacionará com os alimentos.

Segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 2022, cerca de 12,6% da população brasileira vive no campo, produzindo alimentos para os mais de 87,4% que habitam as cidades.

O fato de não produzirmos nosso próprio alimento nos fez mudar de hábitos. O exercício diário e natural que antes era necessário para essa produção foi substituído por outras formas de se movimentar. Com isso, vemos uma academia em cada esquina! Em meio à correria, multiplicam-se também o consumo de suplementos, vitaminas e das refeições rápidas.

As grandes cidades vivem um cenário crescente de congestionamentos, pressões e perda de qualidade de vida. Às vezes, parece que caminhamos para um futuro em que nos alimentaremos apenas por necessidade biológica, e não mais por prazer — quase como astronautas em uma nave com espaço e tempo limitados.

Mas até quando essa rotina de vida será sustentável?

A próxima revolução agrícola talvez não produza apenas alimentos. Talvez produza algo ainda mais valioso: reconexão.

Reconexão entre pessoas e comida. Entre cidade e campo. Entre tecnologia e qualidade de vida.

A tecnologia da informação, as fazendas verticais e a produção nas áreas periurbanas não virão apenas para aumentar a produtividade, mas para encurtar distâncias.

Porque, no fundo, desfrutar de tempo de qualidade ao redor da mesa de refeição com a família e os amigos talvez tenha se tornado um dos maiores desejos da vida moderna.

Enquanto esse reaprendizado da agricultura não chega, seguimos encontrando nossa conexão com o campo aos domingos pela manhã, ligados num programa campeão de audiência e que nos ajuda a alimentar nossos sonhos de um Globo mais Rural.

Um forte abraço.

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