A saga da soja, o livro que faltava

A saga da soja, o livro que faltava

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No decurso da recente realização do VIII Congresso Brasileiro de Soja, realizado na Capital de Goiás (Goiânia, 11 a 14/6/2108), com a presença de quase 2.500 participantes, a Embrapa Soja lançou o livro “A saga da soja - de 1050 a.C. a 2050 d.C.”. de autoria de dois pesquisadores desta Unidade da Embrapa.

O livro explora em detalhes o desenvolvimento da cultura desde seus primórdios no nordeste da China, até chegar aos campos de produção do Brasil, passando antes pela avaliação do seu potencial na Europa e nos Estados Unidos da América (EUA). A publicação analisa as causas do seu rápido desenvolvimento a partir dos anos 40, os impactos que produziu na economia dos países produtores e as perspectivas da sua demanda como principal fonte de proteína vegetal para a produção de proteína animal (carne, ovos e leite). 

A soja é o 4º grão mais cultivado no Planeta, mas, diferente dos três primeiros (milho, trigo e arroz), seu desenvolvimento comercial é muito mais recente. Embora originária do Oriente, sua produção em larga escala ocorreu somente a partir da sua introdução nos países do Ocidente (século 18), principalmente nos EUA. A partir da década de 1920, os EUA iniciaram seu cultivo comercial, seguido, já nos anos 40, pelo Brasil e Argentina. As primeiras lavouras de soja nos três países - hoje responsáveis pela produção de cerca de 80% do grão - foram destinadas à produção de feno para a alimentação de bovinos. Somente a partir da década de 1960, a produção de feno foi descontinuada e a produção de grãos para a indústria de farelo e óleo, priorizada.

O livro dedica especial atenção aos acontecimentos no Brasil, onde, em menos de meio século, a área cultivada com soja passou de 1,3 milhões de hectares em 1970, para 35 milhões de hectares em 2018. No mesmo período, a produção evoluiu de 1,5 milhões de toneladas, para 118 milhões de toneladas e a produtividade passou de 1.508 kg/ha, para 3.300 kg/ha. Um fenomenal sucesso e principal responsável pelo deslanche do agronegócio brasileiro, que hoje responde por cerca de 45% das exportações totais do país.

O cultivo da oleaginosa em larga escala não é novidade apenas no Brasil, mas no mundo. Com exceção da China e alguns outros países asiáticos - produtores há séculos de pequenas quantidades destinadas ao consumo doméstico - o restante do mundo tomou conhecimento da existência da soja como commodity há pouco mais de meio século, em contraste com os milhares de anos para o trigo, o milho e o arroz, cultivados desde que os Sumérios começaram a fazer agricultura no vale dos rios Tigre e Eufrates, no Iraque.

No início dos anos 40, a produção global de soja, então concentrada na China e nos EUA, era pouco superior a 10 milhões de toneladas; quase 30 vezes menor do que a produção atual.

Diferente dos cereais supra mencionados, produzidos principalmente para o fornecimento de carboidratos na alimentação de humanos e animais, a produção de soja tem como prioridade fornecer proteína na formulação de rações para a engorda de animais domésticos produtores de carne. Do total de 335 milhões de toneladas de farelos proteicos produzidos em 2017 (USDA, 2018), 237 milhões de toneladas provieram da soja, ou seja, 71%.

Relatar o que aconteceu com a produção de soja no passado é relativamente simples, visto existirem dados que comprovam os relatos. Estimar o que virá pela frente, no entanto - sem que isto pareça ser um exercício de pura adivinhação - é bem mais complexo.

O capítulo final deste livro - valendo-se de sofisticados modelos matemáticos - faz uma estimativa bastante crível sobre a potencial demanda futura de soja, tendo como base o crescente consumo de proteína animal, resultado do recente maiúsculo crescimento da economia global e o consequente aumento da renda per capita da população.  

Acreditamos ser esta a publicação mais completa sobre a trajetória da soja já escrita no Brasil. São 200 páginas de valiosa informação sobre a principal lavoura do País. O livro está disponível por R$ 50,00 na Embrapa Soja ou via pelo site www.embrapa.br/soja.
 

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