Apresentação Que a Agricultura de Precisão é uma tecnologia que deve ser difundida, não há dúvidas. Que é uma ferramenta poderosíssima para a maior produtividade e menor custo, também não se pode contestar. O que nos deixa ressabiados é “será que o nosso produtor está pronto para assimilar tal tecnologia, tanto no aspecto cultural quanto financeiro-econômico ?”. Prezados Senhores Antes de mais nada gostaríamos de parabenizá-los pela iniciativa de estimular e de darem condições de uma efetiva participação pública deste estudo tão sério, atual e de tamanha importância para o desenvolvimento de nossa agropecuária e, por conseqüência, do agronegócio. Temos alguns comentário a fazer em relação ao tema Agricultura de Precisão: Que a Agricultura de Precisão é uma tecnologia que deve ser difundida, não há dúvidas. Que é uma ferramenta poderosíssima para a maior produtividade a menor custo, também não se pode contestar. O que nos deixa ressabiados é “será que o nosso produtor está pronto para assimilar tal tecnologia, tanto no aspecto cultural quanto financeiro-econômico ?”. Tenho sérias dúvidas. Acredito que tudo vem a seu tempo. Há pouquíssimo tempo atrás, nosso homem do campo era conhecido como Jeca Tatu, passando para Homem do Campo, depois para Produtor Rural e agora está na eminência de ser Empresário Rural. Tudo isto em pouquíssimas décadas, o que determina a sua capacidade de adaptação, de acompanhamento e busca da evolução tecnológica. Mas tudo ao seu tempo. Acredito convictamente que já existem ferramentas muito boas a serem utilizadas pelo nosso produtor, de modo que ele comece a se organizar e se atualizar tecnologicamente, diminuindo de forma significativa a possibilidade de frustrações, frustrações estas que o levariam a um retrocesso e ao medo do “não sou capaz”, “esta tecnologia é para os outros, não para mim”, e assim por diante. Temos que dar tempo ao tempo divulgando e orientando sobre estas ferramentas intermediárias que o levaria a acreditar em suas próprias capacidades, a verificar que realmente que com organização têm melhores condições de trabalho com maiores produtividades, acompanhamento dos custos, controle do maquinário e assim por diante. Meu maior medo é que o nosso homem do campo sinta a sua simplicidade e o seu orgulho feridos. Temos que respeitar este homem que tanto contribue para o desenvolvimento do nosso País e, se não lhe oferecermos alternativas tecnológicas, dentro do seu nível cultural, com toda certeza ele poderá sentir-se humilhado e, pior, rejeitando qualquer tipo de evolução dentro de sua lavoura. O Campo não é formado só de grandes e cultos produtores mas a sua grande maioria de grandes homens de pequena cultura. Acredito que estimulá-los a subir o primeiro degrau tecnológico, com a ajuda do filho que estuda informática será, sem qualquer sombra de dúvida, um passo enorme para conseguirmos transformar esse Homem do Campo ( ou seu filho) em um Empresário Rural com visão e autoconfiança suficientes para acompanhar a evolução que o futuro lhe apresentará. Sou uma entusiasta em relação à Agricultura de Precisão e sei de sua importância porém sou muito mais defensora dos valores do nosso lavoureiro que tem que ser respeitado em suas origens, sua simplicidade e suas condições culturais e este respeito que tem que ser divulgado sem demagogias pois o Brasil está crescendo graças a esse homem (vejam o PIB agropecuário), com sua capacidade de trabalho, de dedicação, de buscas de soluções para os seus problemas, o tempo provará que não existem limites tecnológicos que este homem que é realmente um verdadeiro “camaleão”. Não existe outra maneira de subir uma escada a não ser um degrau após o outro. Se fosse possível, eu iria sugerir a abertura de mais um tema para discussão: 8) Gestão Agrícola – um passo intermediário.
Comentário publicado no workshop do Agrosoft 2002 sobre no fórum sobre Agricultura de Precisão.
Comentário publicado no workshop do Agrosoft 2002 sobre no fórum sobre Agricultura de Precisão.