Amazônia: algumas ponderações (I)

Amazônia: algumas ponderações (I)

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Em meados dos anos de 1980, quando a soja já avançava para o Centro-Oeste brasileiro e nosso país se tornava um importante exportador da oleaginosa, me deparei, na Europa, e mais precisamente na França, com um posicionamento de segmentos da sociedade local que usava o seguinte slogan: “A vaca do rico come a comida do pobre”.

A alusão era de que o Brasil, avançando a soja sobre grandes imensidões de terra, visando alimentar os animais europeus (na época, a hoje União Europeia era o maior importador mundial da oleaginosa), deixava de usar estas terras para produzir alimentos para sua população, a qual, em boa parte, vivia desnutrida. Por trás deste movimento estavam as ONGs locais em particular.

Na maioria dos casos, com boas intenções, porém, sem conhecer o tema em profundidade. Trabalhamos muito, durante longos anos, para mostrar que este discurso europeu, embora na maior parte dos casos honesto, estava desfocado da realidade, já que a soja, assim como a produção primária em geral, é a sustentação econômica de regiões inteiras do Brasil (e de outros países), incluindo também os chamados pequenos produtores rurais.

Ou seja, com sabedoria e tecnologia podíamos sim produzir soja e também alimentar adequadamente à nossa população. Aos poucos se obteve sucesso neste movimento, a ponto de o Brasil, hoje, ser o maior produtor e exportador mundial de soja, e de outros alimentos. Nos falta, de fato, melhorarmos a nutrição humana no país, pois não conseguimos avançar o suficiente na melhor divisão da renda junto à população. E ninguém produz para quem não pode pagar! A crise atual na Amazônia tem semelhanças.

O Brasil, infelizmente, nunca conseguiu administrar aquela região. Com isso, deixamos espaço para o avanço dos mais diferentes interesses, diante de um Estado nacional incapaz e desinteressado no que a floresta nos poderia oferecer. Com o tempo, fazendeiros, grileiros e mineradores inescrupulosos, a maioria brasileiros, passaram a ocupá-la e desmatá-la. Mas não só eles! Muitos países perceberam a riqueza ali existente e, através também de ONGs, procuraram firmar pé em território amazônico.

Com isso, se misturaram ONGs honestas e com interesses concretos em defesa do meio ambiente, com ONGs criadas para ajudar na exploração da floresta e suas riquezas. Diante de um Brasil sem recursos suficientes para controlar o que lá acontecia, criou-se o Fundo da Amazônia, dentre outros, com recursos de países como Alemanha e Noruega, para a realização de um mínimo possível de acompanhamento e proteção à riqueza que representa aquela região, tanto natural quanto econômica, pois é sabido cientificamente que a Amazônia regula boa parte do clima mundial, especialmente aqui na América do Sul.

Se, por exemplo, o Sul do Brasil tem chuvas regulares, clima quase temperado e pode ser grande produtor agropecuário, é muito graças a ela. (segue)


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