Atualização da conjuntura econômica

Atualização da conjuntura econômica

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Nos dias 18 e 19 de junho aconteceram as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil – Copom. Os membros do Copom analisam a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas para a inflação. Sobre a última ata transcrevo e analiso alguns pontos relevantes.

Segundo o Copom, o cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em várias direções. De um lado, o alto nível de ociosidade pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco aumenta no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes. O comitê ainda acredita que o risco é preponderante.

Com relação aos indicadores recentes da atividade econômica há, conforme entendimento do comitê, interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres. A economia segue operando nível de ociosidade dos fatores de produção ainda muito elevado, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego. A economia internacional mostra-se menos adverso, em decorrência das mudanças nas perspectivas para a política monetária nas principais economias. Entretanto, os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem. Várias medidas de inflação subjacente se encontram em níveis apropriados, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,8%, 4,0% e 3,75%, respectivamente. Alguns economistas acreditam que irá terminar 2019 em 3,5%.

Os membros do Copom debateram, também, fatores que poderiam restringir o crescimento econômico, no contexto dos profundos ajustes necessários na economia brasileira, especialmente os de natureza fiscal. Reiteraram a visão de que a manutenção de incertezas quanto à sustentabilidade fiscal tende a ser contracionista. Em especial, incertezas afetam decisões de investimento que envolvem elevado grau de irreversibilidade e, por conseguinte, necessitam de maior previsibilidade em relação a cenários futuros. Em contexto de espaço fiscal limitado para investimentos públicos, enfatizaram a importância de reformas que gerem sustentabilidade da trajetória fiscal futura. Ao reduzirem incertezas fundamentais sobre a economia brasileira, essas reformas tendem a estimular o investimento privado. Esse potencial efeito expansionista deve, em alguma medida, contrabalançar impactos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica, além de mitigar os riscos de episódios de forte elevação de prêmios de risco, como o ocorrido em 2018.

Sobre a preocupação fiscal, acredito ser legítima e extremamente importante e um fator que deve ter seu equacionamento buscado de maneira constante. Por outro lado, em relação à inflação, acredito que o Banco Central já poderia afrouxar um pouco, na tentativa de contribuir com o estímulo à atividade econômica. É muito importante que a meta de inflação seja cumprida, mas ficar muito abaixo do centro da meta não contribui em nada para a economia, pelo contrário. Já em relação a preocupação que não só o Banco Central, mas toda equipe econômica do governo possui sobre as reformas e, certamente, a mais importante no momento seja a aprovação da reforma da previdência, sem dúvida toda energia deve ser voltada para esse fim. Entretanto, existem outras medidas a serem tomadas para que o ano não seja perdido, visto que a inércia da economia é muito grande.

Acredito que o governo está tomando todas as medidas esperadas e realizando os ajustes necessários, conduzindo as ações de forma responsável e com uma equipe preparada para isso. Porém, talvez seja necessário abrir espaço para outras frentes e não vincular todas as medidas a uma única expectativa.


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