Boro exerce função fundamental na nutrição mineral da Palma de Óleo

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Eduardo Saldanha*

A Palma de Óleo é um importante vegetal responsável pela produção de diversos produtos que estão inseridos em nosso cotidiano, desde o famoso azeite de dendê utilizado na culinária até produtos de beleza. Hoje o Brasil está entre os 10 maiores produtores de óleo de palma e tem na Amazônia sua maior produção, pois as condições climáticas e do solo tornam a região uma área potencial para a produção da planta.

O boro é um dos nutrientes fundamentais para que a palma de óleo complete seu ciclo de vida, desempenhando funções metabólicas e estruturais de grande importância para o desenvolvimento vegetal. As plantas que sofrem deficiência desse nutriente apresentam anormalidades no crescimento, desenvolvimento e reprodução, e sua carência se associa a sintomas específicos, que só podem ser corrigidos com a aplicação de fontes desse elemento.

A cultura da palma de óleo é bastante sensível à baixa disponibilidade de boro, apresentando rapidamente sintomas em folhas e raízes. As folhas podem apresentar expansão irregular, malformações, sobretudo nas áreas apicais, comprometendo as zonas de crescimento da planta, observando-se com frequência coloração verde mais intensa nas folhas sintomáticas, além de aspecto enrugado do limbo foliar, que pode se tornar frágil e quebradiço. O boro desempenha funções em importantes processos estruturais e metabólicos, como, por exemplo, a estruturação da parede celular das células vegetais e o transporte e a formação de complexos carboidratos pelo floema, além de funções muito específicas na biologia floral, como a germinação do grão de pólen e a formação do tubo polínico.

A deficiência de boro tem sido relatada como a desordem nutricional mais comumente encontrada em plantios de palma de óleo, em diferentes regiões de cultivo da cultura, sendo sensivelmente agravada em regiões de solos ácidos, arenosos e áreas sujeitas a elevadas precipitações pluviométricas anuais. A deficiência severa de boro inibe completamente o desenvolvimento de folhas novas e culmina na desintegração dos primórdios foliares ainda não expandidos. Nas raízes, a deficiência de boro retarda o crescimento meristemático, determinante na formação, ocorrendo a inibição da divisão celular, o que resulta na emissão de menor volume de raízes, que passam a apresentar anormalidades morfológicas, como, por exemplo, aparência achatada, aglomerados de raízes curtas e grossas, além de coloração.

O monitoramento nutricional realizado em 33 áreas de produção comercial de palma de óleo no estado do Pará, desenvolvido por Matos 2016, utilizando o método DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação), apontou que boro e zinco foram os micronutrientes que mais limitaram a produtividade em plantas adultas e jovens, com grande incidência de deficiência de boro nas áreas avaliadas.

Correção da deficiência de boro

O boro é usualmente aplicado em doses que variam de 10 a 35 gramas por plantas, em jovens e adultas, respectivamente. O fornecimento de boro pode ser feito mediante a aplicação de fórmulas fertilizantes que contenham esse nutriente. Por serem doses muito pequenas, recomenda-se que a aplicação de boro seja realizada em fórmulas NPK nos grânulos que, contenham esse nutriente, evitando a segregação do nutriente, como ocorre em misturas convencionais.

Contar com soluções nutricionais é fundamental para alcançar bons resultados, e os produtores devem investir em programas nutricionais completos para a cultura, sempre alinhado às orientações profissionais dos agrônomos, após avaliação técnica do solo.

*Eduardo Saldanha é engenheiro agrônomo, Doutor em Nutrição Mineral de Plantas e especialista Agronômico da Yara para a Cultura da palma de óleo.

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