Calagem e Adubação em Pastagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu

Agronegócio

Calagem e Adubação em Pastagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu

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Introdução
O capim-marandu (Brachiaria brizantha cv. Marandu) é uma gramínea forrageira perene de hábito de crescimento cespitoso, formando touceiras de até 1,0 m de diâmetro e perfilhos com altura de até 1,5 m. Apresenta rizomas horizontais curtos, duros, curvos, cobertos por escamas glabras de cor amarelaa púrpura. Suas raízes são profundas o que favorece sua sobrevivência durante períodos de seca prolongados. Originário da África Tropical, encontra-se amplamente distribuído na maioria dos cerrados tropicais e em áreas anteriormente sob vegetação de florestas da região amazônica.

Características agronômicas
Apresenta boa adaptação e produção de forragem em solos de média fertilidade natural; excelente comportamento em solos arenosos; sistema radicular profundo o que permite a obtenção de água durante os períodos de seca; requer solos bem drenados e não tolera o encharcamento prolongado; resistente ao ataque das cigarrinhas-das-pastagens; apresenta maior palatabilidade que as outras espécies de Brachiaria; a dormência das sementes pode ser rompida após 4 a 5 meses de armazenamento ou acelerada mediante escarificação com ácido sulfúrico. Por apresentar hábito de crescimento semi-ereto, forma consorciações bastante equilibradas com leguminosas forrageiras como Pueraria phaseoloides Arachis pintoi, Desmodium ovalifoliume Centrosema acutifolium.

Calagem
Recomenda-se aplicar calcário para elevar a saturação por bases do solo para 40%. Como os solos da região Amazônica, normalmente, apresentam baixos teores de cálcio e magnésio, recomenda-se, preferencialmente, a utilização de calcário dolomítico. Em Rondônia, em um Latossolo Vermelho-Amarelo, textura argilosa, a dose de calcário relacionada com a máxima eficiência técnica para a produção de forragem foi estimada em 1.830 kg/ha de  calcário (PRNT = 100%). Os níveis críticos internos de cálcio e magnésio, relacionados com 80% do rendimento máximo de forragem, foram de 4,92 e 3,98 mg/kg, respectivamente.O calcário deve ser aplicado a lanço, de modo mais uniforme possível e incorporado ao solo, preferencialmente, no final do período chuvoso anterior ao plantio. Quando a recomendação for inferior a 3 t/ha, sugere-se fazer uma única aplicação, seguida da incorporação com arado ou grade pesada. Para doses maiores, recomenda-se aplicar metade antes da primeira aração ou gradagem e a outra parte antes da segunda gradagem.

Adubaçao fosfatada
Em ensaios exploratórios de fertilidade de solo realizados em diversas localidades de Rondônia, constatou-se que o fósforo, seguido do enxofre e potássio, foram os nutrientes mais limitantes ao crescimento do Marandu, reduzindo drasticamente seus rendimentos de forragem, teores e quantidades acumuladas de nitrogênio e fósforo. Para as condições edáficas de Rondônia, o nível crítico interno de fósforo, relacionado com aobtenção de 80% da produção máxima de matéria seca, foi estimado em 1,71 mg/kg, o qual foi obtido com a aplicação de 183 kg de P2O5/ha.
As fontes mais recomendadas são os fosfatos solúveis – superfosfato simples ou triplo – que podem ser aplicados a lanço ou sem sulcos. Os fosfatos naturais brasileiros, fosfatos naturais reativos e os termofosfatos devem ser aplicados sempre a lanço e incorporados ao solo. A quantidade de fósforo a seraplicada é definida em função da análise química do solo.


Adubação potássica
O potássio (K) é aplicado no solo, principalmente, sob a forma de cloreto de potássio e pode ser a lanço, misturado com o fosfato ou aplicado em cobertura de 30 a 40 dias após o plantio da gramínea. A quantidade de K a ser aplicada é definida conforme os resultados da análise química do solo.

Adubação nitrogenada
Para solos com teor de matéria orgânica inferior a 1,5% (15 g/kg), recomenda-se uma aplicação de 30 a 60 kg de N/ha, em cobertura, dois meses após a emergência das plantas. Para os sistemas de produção mais intensivos, sugere-se a aplicação de 40 a 80 kg de N/ha, anualmente, parcelada em duas a três aplicações, durante o período chuvoso, a intervalos de 30 a 45 dias. As fórmulas de sulfato e amônio que contêm enxofre ou nitrato e amônio por serem menos susceptíveis àsperdas de nitrogênio por volatilização, são as mais indicadas para a adubação em cobertura. A uréia pode ser aplicada em cobertura, durante o período chuvoso, tendo-se a precaução de aplicá-la em solo seco, preferencialmente no final da tarde. As perdas de nitrogênio da uréia por volatilização são imprevisíveis e podem até não ocorrer ou serem mínimas, notadamente se chover logo após a sua aplicação.

Adubação com enxofre
As adubações com fósforo sob a forma de superfosfato simples ou de nitrogênio como sulfato de amônio suprem a necessidade de enxofre. Se as adubações não utilizarem estas fontes, recomenda-se aplicar 30 kg/ha de enxofre na forma de gesso agrícola ou flor de enxofre.

Newton de Lucena Costa – Embrapa Roraima
Valdinei Tadeu aulino - Instituto de Zootecnia
Antônio Neri Azevedo Rodrigues – Instituto Federal de Rondônia
Claudio Ramalho Townsend – Embrapa Clima Temperado
João Avelar Magalhães – Embrapa Meio Norte
José Ribamar da C. Oliveira – Embrapa Rondônia

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