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IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS REPRODUTIVOS NA CONSERVAÇÃO DOS JACARÉS BRASILEIROS


Zilca Campos

A reprodução dos jacarés é um dos parâmetros essenciais para programa de conservação e utilização das espécies de crocodilianos, tanto na natureza como em cativeiro. No Brasil, ocorrem seis espécies de jacarés da família Alligatoridae, sendo que cinco delas, Melanosuchus niger (jacaré-açu), Caiman crocodilus crocodilus (jacaré-tinga), Caiman crocodilus yacare (jacaré-do-Pantanal), Caiman latirostris (jacaré-do-papo-amarelo), e Paleosuchus trigonatus (jacaré-coroa) possuem estudos sobre alguns aspectos da reprodução. No entanto, nada tem sido relatado na literatura sobre a reprodução de Paleosuchus palpebrosus (jacaré-paguá).

As espécies de jacarés, da família Alligatoridae, fazem seus ninhos em montes com restos de folhagens e gravetos próximos de corpos de água, também na vegetação flutuante. O tamanho e a composição dos ninhos depende mais da qualidade do habitat e da disponibilidade de material vegetal utilizado nos ninhos. A radiação solar e a decomposição da vegetação contribuem para aumento da temperatura do ninho.

A radiação solar e a decomposição da vegetação contribuem para aumento da temperatura do ninho. A temperatura em que os ovos são incubados determina o sexo dos jacarés, e normalmente temperaturas baixas, entre 28 a 30oC, produzem fêmeas e temperaturas altas, acima de 30oC produzem machos. O habitat e as variáveis ambientais na fase reprodutiva, seguramente determinam a sobrevivência das espécies de crocodilianos ano após ano.

O período de reprodução dos jacarés brasileiros predomina no final da estação seca, com o nível da água ainda baixo, temperatura altas e as primeiras chuvas que possivelmente sinalizam as fêmeas a fazerem as posturas dos ovos. Da postura dos ovos até a eclosão dos jovens pode demorar até 70 dias, dependendo das condições de incubação dos ovos e dos cuidados das fêmeas. O número de ovos depende principalmente do estado nutricional e do tamanho das fêmeas, que pode variar entre habitats e entre anos.

A Embrapa Pantanal vem há quase duas décadas monitorando o potencial reprodutivo do jacaré-do-Pantanal, na fazenda Nhumirim e arredores. Esse esforço focado em estudos da reprodução de jacarés tem permitido relacionar o número de ninhos com fatores climáticos, como precipitação e nível da água. Além disso, permite avaliar os estoques de fêmeas reprodutivas e as taxas de recrutamento dos jovens na população, a cada ano. Na Amazônia e no Rio Paraná, também existiram esforços em aspectos de reprodução dos jacarés. Por exemplo, há cerca de 10 anos atrás, a Embrapa Pantanal participou de uma iniciativa, junto pesquisadores do INPA, em monitorar os jovens recém-eclodidos de jacaré-tinga e jacaré-açu da Estação Ecológica Anavilhanas. Também, em uma área de inundação do rio Paraná, levantamento aéreo dos ninhos de jacaré-de-papo-amarelo foram conduzidos para gerar conhecimentos sobre a reprodução dessa espécie. Recentemente, essas iniciativas tem se repetido em outras áreas de estudo, com o jacaré-pagua e jacaré-tinga. A biologia reprodutiva dos jacarés, como ponto de partida nos estudos dos jacarés brasileiros devem ser incentivadas, ano após ano, para que as informações biológicas possam subsidiar programas de conservação e manejo dos jacarés. A identificação das áreas de nidificação e as características dos ninhos permitirá ao IBAMA criar medidas de proteção das áreas de reprodução dos jacarés, e designar áreas de uso sustentado pelas comunidades locais.

Referência Bibliográfica:

Campos, Z. 1993. Effect of habitat on survival of eggs and sex ratio of hatchlings of Caiman crocodilus yacare in the Pantanal, Brazil. Journal of Herpetology, 27(2):127-132.

Campos, Z. e Mourão, G. 1995. Caiman latirostris (broad-snouted caiman). Nesting. Herpetological Review 26(4):203-204.

Silveira, da R., Magnusson, W. Campos, Z. 1997. Monitoring the distribution, abundance and breeding areas of Caiman crocodilus and Melanosuchus niger in the Anavilhanas Archipelago, central Amazonia, Brazil. Journal of Hereptology, 31(4):514-520.

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