O sistema regional de inovação na região Sul está, de certa forma, bem estruturado com boas universidades federais e estaduais, IPPs e IPMs fortes, algumas empresas com departamentos de pesquisa funcionando, fndações de apoio à pesquisa (FAP) operantes e secretarias de ciência e tecnologia trabalhando de forma cooperativa para o desenvolvimento da região. Em função diss, a região sul tem conseguido estabelecer uma relação de troca com o Governo Federal através do Ministério de Ciência e Tecnologia sendo uma região que tem recebido bastante investimentos na área de C&T&I.
Acredita-se, no entanto, que seria muito interessante que os estados da região Sul estabelecessem seus índices C&T&I. Tais índices, compostos por indicadores sintéticos de áreas importantes como produção científica, base educacional, disponibilidade de recursos humanos qualificados, e amplitude e difusão das inovações empresariais podem ajudar , em muito, na elaboração de políticas específicas para cada estado.
Em relação à inovação no setor florestal a situação muda um pouco, pois temos um quadro em que a maioria dos IPPS e IPMs não têm planejamento estratégico e atual, com modelos mercadológicos em um regime de competição muito acentuado. É necessário, portanto, o estabelecimento de um Fórum de Gestores de C&T&I do setor florestal na região para que se possa discutir uma governança da pesquisa florestal na região, que seja baseada em um entendimento de que a competição deve ser travada com outros institutos internacionais, principalmente no que tange à garantia de um nível tecnológico de ponta.
Um outro aspecto a ser considerado é o fato de, da mesma forma que as empresas nacionais de outros setores, as empresas florestais têm uma baixa taxa de inovação. A inovação por processo suplanta em muito a inovação por produto e as demandas das empresas para IPPs e IPMs são na maioria das vezes para inovações incrementais. Em função disso, os IPPs e IPMs da região Sul trabalham em demandas muito pontuais e emergenciais, perdendo uma concepção e uma visão das linhas básicas de pesquisa de importância estratégica para o setor florestal no médio e longo prazos.
A predominância de recursos das empresas para o custeio dos IPMs e IPPs tem ocasionado uma concentração da pesquisa em alguns poucos segmentos do setor de base florestal (papel e celulose; e móveis; produção de produtos de valor agregado.). Em função disso, muitos segmentos tais como produção de serrados e de energia apresentam um “gap” tecnológico muito acentuado. Outro agravante é a concentração dos investimentos de pesquisa na área industrial em detrimento do investimento na produção da matéria-prima.
O investimento privado na pesquisa florestal da região ainda é baixo e pode ser atribuído ao grau de incerteza das empresas privadas do setor de base florestal, ao pouco entendimento da sociedade e dos políticos sobre a importância do agronegóci e, em especial, o florestal, para as economias locais, regional e nacional e pela desarticulação do sistema regional de inovação para o setor florestal.
Somente com a criação de um sistema organizado e coordenado de pesquisa florestal na região é que nós poderemos balancear as inovações incrementais com as radicais. Especificamente em relação aos IPMs, é importante considerar a necessidade desses institutos de se organizarem em conjunto com as universidades às quais estão ligados, para a realização de um plano estratégico que possibilite a prospecção de demandas de pesquisas básicas e estratégicas para o setor florestal. Uma outra ferramenta muito importante e que deve ser prestigiada é a Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA) que foi consolidada no âmbito do CT-Agronegócio, um dos fundos setoriais para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação do MCT. Essa rede tem como um dos principais objetivos do projeto o subsídio ao Comitê Gestor do Fundo Setorial de Agronegócio do MCT, formuladores de políticas públicas, definidores de prioridades. A Rede terá uma estrutura virtual, por meio de um portal nacional de oferta e demanda de tecnologias (www.ripa.com.br) para o agronegócio; e uma estrutura física, com a implantação de um centro de referência em cada uma das cinco regiões. Na região Sul ele será a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná. O impacto que essa rede poderá causar será proporcional à atenção que os atores envolvidos no SIR, em especial aqueles que atuam direta ou indiretamente no agronegócio regional dispensarem a ela.
É essencial que se tenha claro que o Sistema de C&T&I para o setor de base florestal deva ser visto como um conjunto de organizações e instituições, sob coordenação do Estado e dentro de seu limite, seguindo os seguintes princípios:
1. considerar a especificidade das demandas e os arranjos produtivos locais;
2. estar sob a orientação da política industrial e de ciência e tecnologia dos estados;
3. respeitar as políticas fiscal, financeira, salarial, previdenciária, educacional e de saúde;
4. ter como objetivo a produção e a difusão efetiva de inovações para produção de produtos florestais madeireiros e não madeireiros para todos os tipos de produtores e empresas;
5. respeitar os preceitos do desenvolvimento sustentável.
Com o SIR estabelecido dever-se-á estabelecer de forma urgente um Plano Estratégico para o Setor Florestal Regional - PEF. :
Durante a elaboração do PEF é importante se estabelecer um entendimento entre os atores responsáveis pelo desenvolvimento florestal sustentável regional no sentido de selecionar regiões produtoras para o desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) que incluam pequenas, médias e grandes empresas florestais e se caracterizem por ter um número significativo de empreendimentos e de indivíduos atuando em torno de uma atividade produtiva predominante e que compartilhem formas percebidas de cooperação e alguns mecanismos de governança.
Em resumo, é importante que se proceda na região o estabelecimento de:
1. um Fórum de Diretores de IPPs e IPMs que desenvolvem pesquisa florestal na região;
2. um modelo de governança da C&T&I florestal na região;
3. um modelo de transferência de tecnologia para o setor florestal;
4. um programa estratégico para o setor florestal da região; uma fortalecimento da Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA) que foi consolidada no âmbito do CT-Agronegócio.
(*)Moacir José Sales Medrado é pesquisador e chefe-geral da Embrapa Florestas
Vitor Afonso Hoeflich é pesquisador da Embrapa Florestas
Alberto William Viana de Castro é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental