CI

Sobre a agricultura


Onofre Ribeiro

A respeito do artigo “Novo modelo agrícola”, publicado alguns e-mails interessantes, dos quais destaco o do leitor Daniel Melo, pela sua pertinência com o tema tratado. Só para situar o leitor, naquele artigo levantei a hipótese do financiamento futuro da agricultura em Mato Grosso como, de resto, no Brasil, se dar a partir do futuro próximo, dos seguros agrícolas. O sistema funcionaria a partir do seguro do financiamento. Com a apólice nas mãos o produtor poderia contrair financiamentos bancários e insumos. Substituiria o atual modelo das trades que liberam financiamentos antecipados, mas cobram juros e custos altos, além de hipotecar a produção que, historicamente, vale mais à época e entrega, causando prejuízos e perda de renda do produtor rural. O e-mail a seguir é bem didático a respeito:

“Esse tema é muito interessante, hoje estando dentro da trade, às vezes vejo com outros olhos a questão. De fato  a trade que financia o produtor cobrando custos absurdos, este custo vem da inadimplência que o Banco do Brasil cansou de amargar por vários anos tendo que aceitar por mais de uma vez a tal moratória da dívida pedida pelos produtores. Após tantos anos de prejuízo hoje eles só oferecem R$ 250 mil (para soja e milho) e R$ 400 mil (algodão) para um produtor plantar. Se ele pagar o óleo diesel, a semente e mão de obra, será muito. Pra comprar adubo e químicos não dá.

Depois do Banco do Brasil vieram as trades financiar os produtores e da mesma forma com as frustrações de safra, clima, oscilação de preço, etc...Elas deixaram de receber e tiveram que ir rolando as entregas, ou às vezes arrestando produtos para receber parte da dívida. Agora vem o seguro internacional como forma de solucionar o problema. Com esse índice de inadimplência, vai custar uma fortuna e vai ser a mesma coisa. No dia que eles não receberem podem vocês ter certeza, de que elas vão pra cima do produtor com unhas e dentes pra reaver o prejuízo....Lá nos EUA o produtor só planta com o seguro de safra, mas quem banca é o governo por isso que produtor não quebra.

Enfim, o problema não é da onde vem o dinheiro, mas sim quem paga a conta, pois a agricultura é uma atividade de altíssmo risco (clima e oscilação de preços nas bolsas), e a maioria dos produtores não está preparada pra enfrentar tais riscos pensando que é plantar, colher e ganhar.

Neste novo modelo deveria estar inserido as formas do produtor reduzir o seu próprio risco por meio de contratos de opções que funcionam como um seguro, porém, na bolsa. Esses contratos podem assegurar os preços de fertilizantes, químicos, frete e, principalmente, o preço da commodity em si”.

Deixo aqui a provocação do leitor, na certeza de que outros leitores se tocarão para o assunto e poderemos dar andamento na conversa.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7