Tempos difíceis farão o agronegócio mais forte?
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Tempos difíceis farão o agronegócio mais forte?

Por:

Ricardo Makcemiuk

Ensina o provérbio oriental: Bons tempos criam homens fracos, e homens fracos criam tempos difíceis, mas tempos difíceis criam homens fortes”. Por analogia, será que o agronegócio sairá fortalecido após a pandemia da Covid-19? Nem todos seus segmentos, acredito. Porém, não tenho dúvidas de que continuará sendo a força motriz do Brasil. Ora, ele é assim por sua tecnologia, disciplina, competitividade e qualidade, mas também porque tem na sua essência mulheres e homens fortes que assim continuarão após o Coronavírus. Uma legião que enfrenta as mais diferentes adversidades: dos altos custos à falta de incentivos, dos baixos preços às carências logísticas. E, mesmo assim, não esmorecem. Seguem em frente, conscientes de sua missão.

Há alguns dias, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) publicou balanço indicando redução de demanda em setores como sucroenergético, aves e suínos resfriados, processados lácteos e carne bovina. Porém, se o dólar está alto e o salário mínimo encontra-se estável, o lucro é certo com as exportações, correto? Depende: a Bolsa de Chicago tem oscilado nas cotações de produtos agrícolas. A razão é que há temores de o vírus afetar a economia mundial e diminuir a procura dos consumidores finais por commodities. Ainda, os custos de produção aumentaram, pois grande parte dos insumos vem de fora e, portanto, são pagos em dólar. Ou seja, mais do que nunca, o mercado do agronegócio não está estável ou previsível.

Apesar de tudo isso, estamos falando de uma atividade absolutamente essencial. Afinal, há mais de duzentos milhões de brasileiros que precisam se alimentar. E é preciso atentar: a situação seria ainda mais severa caso houvesse falta de abastecimento. Nesse contexto, é fundamental que o setor receba incentivos, como já se fez com a simplificação da comunicação de perda ao Proagro, a postergação da quitação de parcelas de empréstimo de custeio e o pagamento de auxílio emergencial a agricultores. Mas é preciso ir além, com o aumento do orçamento para compra de produtos da agricultura familiar, redução de impostos durante epidemia, isenção do pedágio para transporte de produtos agropecuários, simplificação das inspeções, renovação automática dos alvarás e criação de canais para denúncia rápida em casos de dificuldades de logística.

É fato: 2020 será um ano de baixo crescimento. No entanto, nossos produtores estão acostumados a enfrentar intempéries climáticas e econômicas. Assim como em tantas outras vezes, saberão atravessar os desafios de agora. Novas cicatrizes surgirão, é verdade. Mas, com elas, virão oportunidades de melhorias e novos caminhos. Tenho convicção: o agronegócio brasileiro reforçará seu papel de liderança mundial – tanto em quantidade como em qualidade. E sairá desta crise ainda mais fortalecido.

Advogado do escritório Scalzilli Althaus e especialista em agronegócio

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