Um pouco mais à esquerda

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Em ano eleitoral sempre é mais difícil a elaboração de cenários tanto para a economia quanto para os investimentos especificamente. A situação parece ficar ainda mais complicada quando olhamos para as diversas demandas particulares do Brasil. O país possui deficiências em todas as áreas o que de certa forma dificulta o desenho de planos e projetos que efetivamente provoquem resultados. O mais provável é que, outra vez, apareçam candidatos com grande eloquência para atrair votos, mas com pouco potencial para por em prática ideias transformadoras. Tudo esbarra no fato de se ter ou não maioria no congresso, o que dificilmente ocorrerá com algum dos candidatos.

Independentemente disso, o que de início já podemos perceber é que existem fortes indícios de que estamos mais uma vez ligando a seta para a esquerda. Considerando, nesse momento, alguns nomes fortes para a eleição, fica ainda mais clara essa tendência.

E já que falei em eloquência vou começar por Ciro Gomes. A partir do slogan “Brasil pra frente, Ciro presidente”, o pré-candidato mostra todo seu poder de convencimento, expondo sua vivência no setor público, conhecedor de todas as mazelas que a política possui, segue em sua campanha disparando oitocentas mil palavras por segundo, atordoando os eleitores com uma mescla de problemas reais com soluções estapafúrdias. Como discursos estadistas agradam o eleitor, mas espantam investidores, ou seja, assustam o mercado, o pré-candidato comentou em um dos encontros dos quais participou que seu ministro da fazenda – sem citar nomes - será um empresário do setor produtivo. Essa estratégia, aliás, é utilizada por todos os candidatos. É necessário agradar o povo e também os plutocratas – para utilizar um termo que Ciro gosta bastante.

Já a candidata Marina Silva, diferentemente de Ciro, tenta com seu jeito letárgico convencer gregos e troianos, ambientalistas e agropecuaristas, empresários e trabalhadores, negros e caucasianos de que seu governo será um avanço para o país e para a democracia. E para agradar o mercado agregou em seu time, para conduzir as soluções na economia já na campanha passada, o economista Eduardo Gianetti, que até prove o contrário é um liberal. Esse fato deve controlar os ânimos da bolsa e do câmbio caso seja eleita.

Por último, o mais comentado e com a melhor posição nas pesquisas eleitorais, Jair Bolsonaro. Inegavelmente também possui ambições estadistas, com empresas estatais “empoderadas” com a intenção de trazer a tão comentada pujança econômica da era militar. Para agradar a outra ala traz como mentor econômico Paulo Guedes, economista com PhD pela Universidade de Chicago. Traz ideias claras sobre privatizações, concessões e desmobilizações. “Venderia tudo” disse certa vez em uma entrevista. Então esse sim seria um governo liberal? Não se engane! O presidente continuaria sendo Bolsonaro. Na primeira pressão política que seu governo sofrer o lindo trabalho técnico e planos para a economia vão para o espaço, como acontece em todas as vezes e em todos os níveis da administração pública.

Infelizmente teremos mais do mesmo independentemente do eleito e de seu ministro da fazenda. 

Nossa direção está, mais uma vez, um pouco mais à esquerda.
  
 

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