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Cooperação Internacional da Agroinformática


Cristina Cabral

Concordo com a importância fundamental da Cooperação Internacional para o desenvolvimento da agroinformática mas esta contribuição deverá ser feita em estrada de duas mãos, uma vez que no Brasil já temos ferramentas poderosas, versáteis, de fácil implantação e operação, que deveriam ser de conhecimento do nosso produtor rural mas, por uma questão de dificuldade de acesso aos meios de comunicação, estão fechadas em si e, quando o produtor passa a conhecer chega a se espantar com a qualidade dos softwares, chegando inclusive a perguntar se foi desenvolvido em outro país.

Tudo no Brasil é difícil. Lançar um produto novo, por melhor que seja, por mais que represente a nível de tecnologia avançada, mesmo que mereça elogios de grandes multinacionais, a dificuldade em sua divulgação é algo que realmente nos deprime. Basta vir algo de fora, mesmo com qualidade inferior, que não esteja de acordo com a nossa realidade sócio-econômica-cultural, "se vem de fora só pode ser melhor".

A DMC Informática Rural levou 7 anos para desenvolver o Agro - Sistema de Controle Agrícola. Estamos com muito orgulho do nosso trabalho pois foi desenvolvido em conjunto com produtores rurais de todos os níveis sociais e culturais, respeitando suas origens e sua simplicidade. Estamos orgulhosos e satisfeitos por estarmos participando da evolução deste mesmo produtor que inicialmente tinha medo até da palavra informática e que hoje se sente valorizado por sentir que suas necessidades são atendidas sem burocratizar sua lavoura. Mérito nosso como desenvolvedores? Não, mérito dos produtores que souberam nos passar os seus problemas e as soluções por eles encontradas.

Não estamos aqui querendo fazer comercial de um produtor nosso. Absolutamente não é esse o nosso objetivo. O que queremos é aproveitar o momento para dizer que exitem vários softwares em nosso País, que mereceriam a oportunidade de serem pelo menos estudados, avaliados, acompanhados mas não o são como deveriam. Softwares que poderiam contribuir na contramão (do Brasil para o Exterior) com a Cooperação Internacional pela qualidade, seriedade e profissionalismo. A nós, desenvolvedores de sistemas da área rural, o que realmente nos traz frustrações e desencantos é a falta de interesse por parte de orgãos e entidades por se tornarem inatingíveis. Somos técnicos e pesquisadores e não conseguimos apresentar nossos trabalhos, mesmo para avaliação, em nosso próprio País.

Temos percebido interesse do exterior e, infelizmente, já estamos nos acostumando com "santo de casa não faz milagres". A pesquisa e o desenvolvimento técnico no Brasil deveriam merecer melhores atenções. As nossas soluções poderiam servir de exemplo (ou "cases") o que, com toda certeza iriam valorizar a nossa imagem lá fora e melhorar as condições de futuras e possíveis negociações.

O Brasil tem que conhecer seu potencial, a tecnologia desenvolvida internamente e, a partir daí, buscar lá fora o que não encontrar aqui dentro. Aproveitando inclusive para divulgar lá fora a tecnologia desenvolvida e aplicada aqui.

Senhores, falo não só por mim - tenham certeza disso - mas por tantos quantos que se entregam à pesquisa e que encontram uma dificuldade absurda em apresentar seu resultado, por melhor e mais inovador que seja o seu trabalho.

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